O peixe morre pela boca (e pela gestão): a falta de renovação das águas e de visão administrativa do município – Coluna de Ronnie Peterson

O peixe morre pela boca (e pela gestão): a falta de renovação das águas e de visão administrativa do município – Coluna de Ronnie Peterson

Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador, quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática. Sua coluna sai sempre às terças.

Os bastidores e a superfície da política de Vitória da Conquista andam mais conectados do que o cidadão comum imagina. À primeira vista, pode parecer um salto lógico distante, mas a pergunta se impõe: o que a falta de manutenção adequada da água do lago da praça Tancredo Neves tem a ver com a falta de renovação dos quadros do secretariado municipal? A resposta é simples e direta: tudo. O que acontece no coração da cidade é o reflexo de um sintoma de esgotamento e acomodação que começa a cobrar o seu preço político.

Recentemente, as redes sociais foram inundadas por um vídeo impactante que viralizou rapidamente: peixes agonizando no lago da icônica praça Tancredo Neves, asfixiados pela falta de oxigenação adequada da água. A mobilização popular foi imediata e legítima. Afinal, a praça não é apenas um cartão-postal, mas um símbolo do cuidado que a prefeitura dedica ao município. Quando a gestão falha no básico, na preservação da vida e do paisagismo em sua praça mais central, o sinal de alerta acende para problemas estruturais muito maiores.

Este episódio ambiental isolado, na verdade, junta-se a um cenário urbano preocupante. Quem circula por Vitória da Conquista hoje depara-se com a demora excessiva na conclusão de várias obras públicas, buracos que se multiplicam pelas vias e uma crônica falta de sinalização de trânsito. Esses fatos denunciam que a máquina pública municipal perdeu o dinamismo.

A raiz desse marasmo técnico e político reside na composição do escalão de comando. O atual secretariado, salvo raras e honrosas exceções, foi herdado ainda do governo do falecido prefeito Herzem Gusmão. O que antes representava uma transição natural e de continuidade administrativa, transformou-se em uma visível acomodação.

Tomemos a pasta do Meio Ambiente como exemplo prático. A secretaria tem ficado mais em evidência na imprensa por episódios polêmicos e negativos, como a contestada retirada das árvores da frente do Paço Municipal e, agora, a crise na praça Tancredo Neves, do que pela formulação de políticas públicas robustas de valorização do meio ambiente urbano. Fica o questionamento: falta de recursos financeiros ou pura escassez de ideias e projetos inovadores?

A situação se agrava quando olhamos para a Infraestrutura. Além das obras inacabadas espalhadas pela cidade, a tragédia da morte de uma cidadã, ocorrida mesmo após alertas e incidentes anteriores no exato mesmo local, evidenciou uma falha grave de gestão. Em um cenário de rigor administrativo e sensibilidade política, o titular da pasta deveria ter sido responsabilizado administrativamente. A blindagem a secretários desgastados cria gargalos intransponíveis que sufocam a eficiência e, por consequência, corroem a popularidade da prefeita Sheila Lemos.

A história política de Vitória da Conquista guarda lições valiosas sobre o perigo do pragmatismo estagnado. O Partido dos Trabalhadores (PT) governou o município por duas décadas. Muitos analistas políticos e historiadores atribuem a derrocada da grande popularidade que a legenda ostentava justamente à incapacidade crônica de renovar seus quadros internos e alternar seus secretários. O poder vicia as estruturas, e o “cansaço” das mesmas mentes tentando resolver os mesmos problemas gera cegueira gerencial.

O espelho do passado serve de aviso ao presente. O desgaste e a falta de mudanças corajosas no primeiro escalão podem levar a prefeita a perder ainda mais aprovação popular a passos largos. Em política, o vácuo de liderança e a inércia não perdoam. Os exemplos históricos estão evidentes, a cidade está atenta cobrando respostas nas ruas e nas telas, e, estrategicamente posicionados, os adversários políticos observam cada bolha de ar que falta aos peixes da Tancredo Neves como um argumento eleitoral pronto para o debate.

TEXTO REVISADO PELO AUTOR

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FOTO DESTAQUE: ILUSTRAÇÃO PRODUZIDA NO CHATGPT BOM BASE EM IMAGEM DO LAGO DA PRAÇA TANCREDO NEVES COM GRANDE QUANTIDADE DE PEIXES NA SUPERFÍCIE

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