A campanha franciscana e a ilusão dos pavões eleitorais. Uma leitura de Gilberto Luna sobre a desigualdade de competição nestas eleições


Gilberto Ferreira Luna é engenheiro, ex-empresário e atualmente um dedicado analista de política internacional e nacional. Aposentado de uma carreira que exigiu precisão e visão de futuro, ele agora se aprofunda na leitura e interpretação dos eventos globais, utilizando sua vasta experiência profissional para oferecer insights claros e objetivos sobre o mundo em que vivemos.
Em um universo político moldado por campanhas milionárias, onde o poder econômico dita as regras e tenta comprar consciências, uma caminhada silenciosa e resiliente chama a atenção em Vitória da Conquista. Longe dos arranjos carnavalescos e dos espetáculos suntuosos que hoje enfeitam a nossa cidade, surge um modelo de fazer política que resgata a essência da verdadeira representação popular. Opta-se pelo caminho franciscano: o olho no olho, as reuniões comunitárias e o caminhar lado a lado com o povo.
Existe uma desigualdade profunda escondida sob o manto de uma democracia capenga, um sistema que frequentemente privilegia quem tem dinheiro e poder para depois simular uma legitimidade nas urnas.
O fim dos showmícios abriu espaço para campanhas publicitárias suntuosas, alimentadas por montantes impressionantes – inclusive de recursos públicos -, mas que produzem apenas uma fantasia passageira. Nesse cenário de extrema disparidade, a força dessa mensagem se traduz em duas realidades marcantes:
A metáfora da formiga e da abelha – Diante das máquinas eleitorais que tentam esmagar as lideranças populares com os sapatos pesados dos poderosos, essa forma de caminhar age como a formiga, que conhece o terreno, faz o seu percurso com cuidado e evita ser pisada. Em outros momentos, comporta-se como a abelha-rainha que, na busca pela sobrevivência coletiva, lidera e articula suas companheiras para que a comunidade resista em um mundo tão desigual.
O verdadeiro legado – Enquanto os marqueteiros se esmeram em enfeitar os pavões da política com acrobacias publicitárias e propagandas milionárias de efeito passageiro, pratica-se a auscultação de uma sociedade enferma e cansada, que historicamente recebe apenas paliativos em vez da cura real para as suas dores.
Na memória genuína do povo, nada ficará registrado desses espetáculos artificiais de riqueza. O que realmente permanece são as propostas verdadeiras nascidas do chão das ruas. O propósito de alcançar os espaços de poder como uma legítima voz popular se sustentará não pelo poder do capital, mas pelo exemplo vivo de amor e resiliência.
A ver!
TEXTO REVISADO PELO AUTOR
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