Desdobramento na Polícia Federal: Wagner obtém liminar para ter acesso a depoimentos no inquérito aberto após acusações de Doutora Lara


Decisão judicial na tarde desta quarta-feira (23) é mais um round no confronto Wagner Alves versus Doutora Lara. O candidato a deputado estadual Wagner Alves (União) conseguiu uma liminar que obriga a Polícia Federal a entregar à sua defesa, em até 48 horas, a íntegra das peças já produzidas no inquérito aberto após acusações feitas por Doutora Lara (Republicanos), também candidata a deputada estadual. A decisão do juiz eleitoral Leonardo Maciel Andrade, do Núcleo do Juízo de Garantias, também determina que qualquer novo depoimento do candidato só ocorra pelo menos 48 horas depois do acesso dos advogados ao material.
A liminar foi concedida em mandado de segurança apresentado por Wagner contra ato do delegado da Polícia Federal em Vitória da Conquista. A defesa recorreu à Justiça depois de receber apenas 18 páginas do procedimento, sem os depoimentos prestados por Doutora Lara e pelos dirigentes hospitalares Ceres Neide Almeida Costa e André Allan Matos Martins, ouvidos pela PF em 18 de setembro. Wagner havia sido intimado no dia 17 para prestar declarações nesta quarta-feira, mas seus advogados alegaram que não poderiam preparar a defesa sem conhecer o conteúdo dos atos investigativos já concluídos.
Segundo a decisão do juiz eleitoral Leonardo Maciel Andrade, a Polícia Federal pode preservar o sigilo de diligências que ainda estejam em andamento, mas não de depoimentos e outros elementos que já tenham sido produzidos e documentados. O magistrado considerou que condicionar o acesso a essas peças à realização de futuras diligências representa retenção indevida de informações necessárias ao exercício da defesa.
O interrogatório de Wagner, inicialmente previsto para esta quarta-feira, já havia sido suspenso pela própria autoridade policial. A liminar estabelece que uma nova data somente poderá ser marcada depois da entrega do material e de um intervalo mínimo de 48 horas para que os advogados examinem os autos. Na mesma decisão, o juiz determinou a retirada do segredo de justiça do processo.
O inquérito foi instaurado para apurar possíveis crimes eleitorais a partir de declarações feitas por Doutora Lara em sessão da Câmara de Vitória da Conquista do dia 9 de setembro. A vereadora acusou Wagner Alves de utilizar serviços e cirurgias do Hospital Esaú Matos para obter apoio eleitoral.
A decisão desta quarta-feira trata do acesso da defesa às provas já documentadas e não examina o mérito das acusações feitas por Doutora Lara. A investigação da Polícia Federal prossegue.
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