Vitória da Conquista já recebeu todos os principais presidenciáveis em uma campanha, mas desde 2014 a cidade só teve um candidato por eleição

Vitória da Conquista já recebeu todos os principais presidenciáveis em uma campanha, mas desde 2014 a cidade só teve um candidato por eleição

Nos anos 1950, o Hotel Albatroz, então o mais luxuoso de Vitória da Conquista, fazia parte do cenário de uma cidade que começava a entrar com frequência no roteiro da política nacional. Em 31 de agosto de 1950, Getúlio Vargas chegou de avião, percorreu as ruas em carro aberto, hospedou-se no Albatroz e, à noite, fez comício na Praça Barão do Rio Branco. Era candidato a presidente da República e voltaria ao Palácio do Catete pelo voto cinco meses depois.

A presença de Getúlio não foi um episódio isolado. Há registro histórico de que, na eleição de 1955, todos os quatro candidatos a presidente estiveram em Vitória da Conquista: Juscelino Kubitschek, Juarez Távora, Adhemar de Barros e Plínio Salgado. Também passaram pela cidade os candidatos a vice João Goulart, Milton Campos e Danton Coelho, numa época em que presidente e vice eram escolhidos separadamente. Juscelino esteve entre os grandes nomes que discursaram na Praça Barão do Rio Branco.

Em 1960 foi a vez de Jânio Quadros. Recebido pelo prefeito Gerson Sales e por aliados, ele esteve na Praça do Rio Branco, onde chegou a empunhar a vassoura que simbolizava sua campanha. Três anos depois, já sem eleição presidencial direta no horizonte, João Goulart voltou a colocar Vitória da Conquista no roteiro do poder nacional ao vir à cidade como presidente da República para a inauguração da BR-116.

Essa importância atravessaria décadas e reapareceria com força depois da redemocratização. Em 1994, os dois candidatos que polarizavam a eleição presidencial fizeram campanha em Vitória da Conquista com apenas uma semana de diferença. Lula (PT) chegou em 9 de setembro, deu entrevista e fez comício. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) veio no dia 16. Para o ato de FHC, foram convidados prefeitos de 31 cidades do Sudoeste, um detalhe que mostra como a presença de um presidenciável em Conquista era pensada também como uma ação política regional.

Naquela eleição, Vitória da Conquista tinha 124.708 eleitores. Hoje são 264.091, mais que o dobro, e o município tem o terceiro maior eleitorado da Bahia, atrás somente de Salvador e Feira de Santana. O IBGE classifica Vitória da Conquista como Capital Regional B, centro de uma região de influência que reúne cerca de 100 cidades. O município cresceu, o eleitorado cresceu e sua função regional não desapareceu. O que diminuiu foi a presença dos principais candidatos à Presidência na cidade durante a campanha.

Até 2010

Em 2002, Anthony Garotinho (PSB), terceiro colocado na eleição nacional, fez campanha em Vitória da Conquista numa extensa passagem pela Bahia. José Alencar (PL), vice de Lula, também esteve na cidade durante aquela campanha. Em 2006, Cristovam Buarque (PDT) incluiu Conquista em sua agenda pelo Sudoeste.

O ponto mais alto dessa sequência veio em 2010. Marina Silva (PV), José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), os três candidatos que concentraram a disputa presidencial, passaram por Vitória da Conquista. Marina veio em setembro, Serra em 8 de outubro e Dilma fez comício na Praça Barão do Rio Branco no dia 26. Foi a última eleição em que Vitória da Conquista recebeu os principais concorrentes à Presidência.

A mudança começa em 2014, quando Vitória da Conquista recebeu apenas Marina Silva (PSB) que naquele momento era uma candidatura competitiva. Ela terminou o primeiro turno com 22,2 milhões de votos no país e, na cidade, teve 45.098, mais do que Aécio Neves (PSDB), que recebeu 44.967. Dilma Rousseff (PT), vencedora no município com 69.496 votos, e Aécio, os dois candidatos que passaram ao segundo turno, não vieram.

Há o registro da passagem de Mauro Iasi (PCB) pela cidade naquele ano, mas sua presença precisa ser situada na dimensão eleitoral que teve. Iasi terminou a eleição com 47.845 votos em todo o Brasil e recebeu apenas 66 votos em Conquista.

A partir daí, as visitas tornaram-se isoladas. Em 2018, Fernando Haddad (PT) esteve em Vitória da Conquista com Manuela d’Ávila (PCdoB), sua candidata a vice. Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) não vieram durante a campanha.

Em 2022, a situação se inverteu: Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, fez motociata e comício na cidade, enquanto Lula (PT), Ciro e Simone Tebet (MDB) não vieram. Outra vez, vale o registro: Sofia Manzano (PCB), candidata naquele ano, além de não figurar entre os que disputaram a eleição com chances, morava na cidade, o que torna a situação diferente. Ela teve 103 votos no município.

Este ano mais uma vez apenas um candidato a presidente desembarcou na cidade. Flávio Bolsonaro repetiu o pai, na quinta-feira (17). Fez uma motocarreata do antigo aeroporto até o Lomantão, onde falou em um comício. Foi a primeira agenda de campanha dele na Bahia, e a escolha de Vitória da Conquista como destino inicial mostra que a cidade não deixou de ter valor estratégico para uma candidatura presidencial.

Até agora, o que se sabe é que o presidente Lula não passará por Vitória da Conquista no primeiro turno e segue outros roteiros nacionais. Para Lula, atua a estrutura do PT baiano, com o candidato a governador Jerônimo Rodrigues e os candidatos senador Jaques Wagner e Rui Costa, ambos ex-governadores do estado. No sábado (19), o trio esteve na cidade e fez uma caminhada considerada histórica. Fica a expectativa para o segundo turno, se ocorrer.

FOTO DESTAQUE: GETÚLIO VARGAS EM COMÍCIO NA PRAÇA BARÃO DO RIO BRANCO. A IMAGEM MOSTRA O LÍDER POLÍTICO CONQUISTENSE GILBERTO QUADROS DISCURSANDO

Deixe uma resposta

Você não pode copiar conteúdo desta página

Descubra mais sobre BLOG DE GIORLANDO LIMA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo