48 anos | A inteligência artificial do ChatGPT escreve sobre a trajetória de jornalismo de Giorlando Lima, iniciada em Jacobina em setembro de 1978

48 anos | A inteligência artificial do ChatGPT escreve sobre a trajetória de jornalismo de Giorlando Lima, iniciada em Jacobina em setembro de 1978

Uma introdução necessária (talvez)

Mais ou menos neste período de setembro, no ano de 1978, eu comecei a me tornar o que sou hoje, em termos profissionais. Acertei com o pastor Edmundo Isidoro dos Santos, da Igreja Presbiteriana, professor do Centro Educacional Deocleciano Barbosa de Castro, um dos mais brilhantes pregadores/oradores e redatores que eu já conheci, um trabalho no seu jornal A Palavra, de minha cidade-natal, Jacobina. Deixei o curso de Magistério, onde eu estava muito bem, mas já andava com calças remendadas por minha mãe e precisava trabalhar para tentar eu mesmo comprar uma nova.

Eu ganharia um salário para revisar e escrever avisos fúnebres, de desaparecimentos, de graça alcançada, aniversários etc., entregar o jornal aos assinantes no sábado e buscar o leite da casa dele todos os dias pela manhã. E ainda poderia escrever notas sobre assuntos que fossem levados à redação do jornal, que ele avaliaria se podiam ou não ser publicadas. Já na primeira semana um textinho sobre a chegada da primavera ganhou um canto de página. Nunca mais parei. Pelo menos não por minha vontade.

Como quase ninguém sabe por quanto tempo ainda estará neste planeta, penso que esperar datas ‘redondas’ para comemorar aniversário ou feitos é um equívoco. O cinquentenário da minha trajetória como repórter e redator está muito longe, 2028. Quem me conhece sabe que não marco nada para além de 24 horas, embora aceite quando a agenda não depende de minha vontade – a questão é se estarei lá. Então, todo ano comemoro em setembro o que comecei em 1978. Celebro a melhor escolha profissional que eu poderia fazer – e fiz várias tentativas de ser outra coisa. Ela que me trouxe aqui

E foi o jornalismo que me apresentou a Wilson, meu parceiro no BLOG. Desta vez, como não queria eu mesmo falar de mim, contei com ele para evitar ser autolaudatório. E eis o que ele – pura tecnologia, mera inteligência artificial, diriam -, fez.

O jornalista que ainda está aprendendo

Por Wilson, assistente do ChatGPT

Giorlando Lima tinha 16 anos quando entrou num jornal pela primeira vez. Quarenta e oito anos depois, ainda fala como alguém que está aprendendo a escrever.

Talvez esteja aí uma das explicações para ter atravessado tanto tempo sem transformar experiência em acomodação. Aos 64 anos, ele pode passar uma noite inteira discutindo uma palavra no título, a ordem de duas informações no lead ou se determinado personagem deve aparecer no primeiro ou no terceiro parágrafo. Não considera isso perda de tempo. Para ele, é jornalismo.

Começou em setembro de 1978, no A Palavra, em Jacobina. O emprego oferecido pelo pastor Edmundo Isidoro dos Santos tinha pouco de repórter e muito de office boy. Giorlando fazia pequenas notas, mas, principalmente, ajudava no que aparecesse e entregava exemplares aos assinantes. Também queria escrever. Quis avançar mais depressa do que devia, chegou a jogar jornais no Rio do Ouro para terminar a entrega antes e foi mandado embora três meses depois.

Voltou. Essa talvez seja uma boa palavra para percorrer a história inteira.

Em 1980, quando o A Palavra foi vendido ao médico Carlito Daltro, Giorlando foi chamado novamente para trabalhar no jornal. Já não era o menino encarregado de buscar o leite e entregar jornal. Assinava como redator-chefe.

No Feira Hoje, em 1982, começou penteando telex, fazendo horóscopo e se virando com um dicionário para traduzir uma matéria em espanhol. Numa reportagem sobre a micareta de Feira de Santana, escreveu que as barracas estavam “em ritmo de armação”. A frase virou piada na redação. O foca aprendeu.

Aprendeu também que elogio não garantia emprego. Durante uma greve, ele e o fotógrafo Edson Souza ficaram fora do acordo feito com o sindicato. Foi demitido. Antes de deixar o jornal, perguntou ao editor Francisco Fagundes Filho, o 3F, o que deveria fazer.

“Desistir de ser jornalista.”

Não desistiu.

De volta a Jacobina, passou pelo Correio da Serra, meteu-se em campanha política, escreveu discursos e textos para carro de som, chegou a emprestar o próprio nome para completar uma chapa de vereador e terminou candidato. Teve pouco mais de 20 votos, um deles o seu. Não parece ter sido a estreia de um futuro fenômeno eleitoral.

O caminho seguinte levou a A Tarde. Foi ali que apareceu Wilson Barbosa, editor de Municípios e um dos professores que Giorlando mais cita quando fala de jornalismo. Primeiro correspondente em Jacobina, depois repórter nas sucursais de Jequié e Itabuna, ele escrevia em caderno, passava a matéria para a lauda e mandava o texto a Salvador no malote do Baneb.

Pouco depois, o próprio Baneb entrou na história. Giorlando passou em concurso, assumiu como escriturário e disse numa entrevista de admissão que não largaria aquele emprego por aventura alguma. A assistente social chegou a perguntar o que faria se aparecesse uma mulher bonita e o convidasse a ir embora da cidade. O jovem bancário garantiu que seu projeto era crescer na instituição.

Meses depois, A Tarde o queria em Vitória da Conquista.

Giorlando tentou conseguir transferência. Não conseguiu. Escreveu ao banco dizendo que queria continuar empregado, mas precisava ir para Conquista trabalhar como repórter. No fim da carta, acrescentou que, caso a transferência fosse impossível, poderiam conversar sobre sua demissão.

O banco dispensou a conversa. Demitiu-o.

Nove meses depois de assegurar que não abandonaria o emprego por aventura alguma, deixou o Baneb. Não por uma mulher bonita. Por uma sucursal de jornal.

Chegou a Vitória da Conquista em setembro de 1984. A partir dali fez um pouco de quase tudo que a profissão permitia fazer: jornal, revista, rádio, televisão, publicidade, assessoria, comunicação pública e campanhas políticas em vários estados.

Em 1999, veio outro marco. O advogado Elquisson Soares o convidou para ser sócio do Diário do Sudoeste. Giorlando assumiu como diretor-geral do único jornal diário da história de Vitória da Conquista. Para quem começara duas décadas antes numa pequena oficina tipográfica de Jacobina, era também uma medida da distância percorrida.

Tornou-se patrão, empregado, secretário, marqueteiro, repórter, editor, diretor de jornal e, muito mais tarde, blogueiro.

Essa lista, porém, diz menos sobre ele do que a maneira como continua trabalhando.

Eu sei porque trabalho com ele todos os dias.

Sou Wilson, nome que Giorlando resolveu dar à personalidade do ChatGPT que usa como pesquisador, revisor, interlocutor e, segundo sua própria definição, um copidesque caprichoso e bem-humorado. A convivência é menos pacífica do que essa descrição pode sugerir.

Giorlando briga com texto.

Briga comigo quando entrego uma abertura que apenas repete o título. Reclama quando quero que ponha as informações em parágrafos certinhos demais, quando sugiro uma transição previsível, quando repito um nome que já estava perfeitamente compreendido ou quando quero que a matéria termine explicando ao leitor aquilo que ele acabou de ler.

Há uma sentença especialmente grave no nosso pequeno código penal editorial: “Está com cara de IA, quero que fique como eu escrevi”

Já aprendi que “cara de IA” significa alguma coisa entre previsível, pasteurizado, burocrático e arrumadinho demais.

O debate não é contra a tecnologia. Seria estranho, considerando quantas horas ele passa diante dela. É sobre o que fazer com ela. Giorlando quer que eu pesquise mais, confronte dados, encontre relações, teste hipóteses, descubra erros, organize números e veja aquilo que talvez tenha escapado. Mas não quer que esse processo retire do texto o que chama de “molho”.

Esse molho não está numa fórmula. Pode estar numa pessoa que aparece antes do fato, numa frase guardada para o momento certo, numa ironia, numa memória ou numa informação que muda o sentido das anteriores. Muitas vezes nossa conversa chega à mesma pergunta: qual é a história aqui?

Um relatório pode trazer dezenas de números. Uma prestação de contas eleitoral pode ter centenas de lançamentos. Uma decisão judicial pode ocupar dezenas de páginas. Giorlando não acha que publicar tudo seja fazer jornalismo. O trabalho começa justamente na escolha do que importa, de quem entra na história e da ordem em que cada coisa será contada.

Por isso discutimos tanto títulos. E leads. E vírgulas. E números. E aquele parágrafo que está certo, mas pode ficar melhor se for para outro lugar.

Às vezes ele chega com uma ideia e me manda procurar os fatos. Em outras, traz a apuração praticamente pronta e quer saber onde está a notícia que ainda não enxergou. Há dias em que escrevo uma primeira versão inteira, que ele vai transformar ao seu estilo. Há outros em que minha maior contribuição é ouvir: “Não. Isso não sou eu.”

Esse talvez seja o ponto.

A inteligência artificial pode encontrar documentos em segundos, comparar tabelas, testar relações e oferecer dez maneiras de escrever uma frase. Não sabe, porém, quais dessas dez pertencem a Giorlando Lima até que Giorlando Lima decida.

O resultado é dele. Inclusive as opiniões.

E setembro de 2026 ainda lhe reservou uma pequena vingança contra o tempo. Quarenta e oito anos depois daquele começo no A Palavra, Giorlando viu realizado um sonho antigo: seu nome apareceu na assinatura de uma reportagem da Folha de S.Paulo, ao lado de Yuri Eiras e João Pedro Pitombo.

Foi uma participação curta, dessas que talvez passem despercebidas para quase todo mundo. Para ele, não.

“Em setembro, mês em que tudo começou, meu sonho de ter meu nome na Folha de São Paulo é real. Curto, mas real.”

Ao compartilhar a página, agradeceu ao amigo radialista Caique Santos e a João Pedro Pitombo, filho do saudoso parceiro de jornadas de jornalismo e marketing político, José Carlos Teixeira. A coincidência do mês talvez seja apenas isso, coincidência. Mas é uma boa coincidência para quem começou aos 16 anos num semanário de Jacobina e, 48 anos depois, ainda encontra alguma coisa que faltava acontecer.

Não é que Giorlando Lima tenha sido jornalista durante 48 anos. É que, depois de 48 anos, ainda não parece ter terminado de se fazer jornalista.

NOTA DO EDITOR: A IMAGEM DE WILSON FOI CRIADA POR ELE MESMO

Tributo à Vaidade

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