Sobre solidariedade, rifa (e bancos) | Uma dívida que nunca será paga integralmente, mas faz bem dever

Sobre solidariedade, rifa (e bancos) | Uma dívida que nunca será paga integralmente, mas faz bem dever

Em maio do ano passado e março deste ano, quitei duas dívidas que pareciam eternas, uma no Santander e a segunda no Banco do Brasil. Juntas somavam quase R$ 100 mil.

Achei que seria impossível, mas consegui.

Corta para o dia em que o exame de sangue que fiz no Labo mostrou meu PSA com apenas 19% na relação do PSA livre sobre o PSA total. Vamos tirar a dúvida. Mais um, resultado semelhante. Médico: “Vamos fazer o toque. A próstata parece normal”. Outro PSA. Epa, vamos à ressonância magnética… biópsia… prostatectomia radical por cirurgia robótica – maior precisão na remoção do tumor, mais alta taxa de cura, menor tempo de internação, recuperação mais rápida, menor dor e sangramento, menor risco de infecção, menos tempo para recuperar a continência urinária e a função erétil.

Indicação: São Paulo. Alto custo. Eu tinha um dinheiro na conta, resultado de trabalho em pré-campanha eleitoral. Era com ele que eu estava sobrevivendo, porque o BLOG não tem renda e eu não tenho emprego, considerando que o meu site não é meu empregador e se fosse não me paga nada, pela óbvia razão já citada.

Mas, todas as recomendações, conversas e pesquisas indicavam fazer a cirurgia na capital paulista, não por luxo, e sim pela convicção de que minhas chances de um bom resultado eram maiores do que os demais tipos de cirurgia (Vitória da Conquista ainda não tinha a robótica, que o Samur já oferece), além, claro, do medo de morrer na cirurgia pressionando.

Contas feitas, o dinheiro dava. Mas, a vida continuava. O diagnóstico veio no início de novembro e a cirurgia em fevereiro. E viver tem custo, que se paga com dinheiro. Quando a cirurgia foi concluída, era menos na conta e a tal da vida com suas despesas contínuas.

Como fazer, se este bloguinho aqui não fatura quase nada por mês e não há outra fonte de renda? Vários amigos sugeriram uma rifa. Eu tive vergonha de topar. Seria pior do que uma vaquinha. Humilhação, vergonha, temor de ser preso como esses rifeiros da internet, medo de não dar certo.

Mas, teve um dia que acordei de um sonho bom, em que ganhei uma garrafa de vinho e ao abrir não saiu vinho, mas um monte de emoji de alegria, amizade, essas coisas. Induzido pela interpretação do sonho, tive certeza de que qualquer constrangimento seria menor do que fazer a rifa e ter a ajuda de pessoas solidárias, amigas, certamente, podendo pagar o que ficou pendente da cirurgia e ainda aguentar mais um mês sem dinheiro no BLOG.

A resposta, meus amigos, como diria, Luís Roberto, do futebol, está sendo absolutamente incrível.

Até meio-dia de hoje (30), menos de 36 horas depois de criada, a rifa teve 85 participantes, arrecadando 73% da meta. E muitos, muitos, ficaram com um único (ou nenhum) número mas repassaram valores muito, muito acima. Pessoas que não conheço, pessoas que há muito não vejo, de Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus, Salvador, Petrolina, São Paulo, Rio, Belém…

Agora, sim, eu sei que tenho uma dívida gigantesca, muito maior do que aquelas assustadoras do Santander e do BB. Mas, diferente de antes, essa dívida eu quero ter. Dívidas. E quero pagar, mesmo sabendo que nunca quitarei. Gratidão por toda a vida e minha disponibilidade para cada uma das pessoas que vieram me apoiar. Contem comigo naquilo que estiver ao meu alcance. Obrigado!

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