Eu abri a janela e foi bom
Estava escrevendo uma crônica sobre fazer aniversário, chegar aos 63 anos, ganhar o carinho da família, receber as mensagens sociais etc. Não seria um texto longo, mas já estava no quarto parágrafo quando parei. Pensei que aquilo que é muito importante para nós pode ser apenas chato e aborrecido para outras pessoas. No que a história de um ser tão comum como Giorlando Lima da Silva pode ser interessante? Aceitei que não me celebrizei o suficiente para falar de mim, de novo, como se importasse.
Mas, talvez tenha valor dizer que, assim como este dia é um bem inestimável para mim, pelo simples fato de existir, o seu também é, mesmo que não seja seu aniversário. Como dizem, a vida é um sopro, portanto, cada segundo (ou fração dele) é tão importante quanto os anos que contamos e comemoramos. Agora, imagine chegar, como estou chegando, a quase 327 milhões desses segundos?
Por isso, hoje, logo cedo, fortalecido pelo carinho da família e com a convicção de que a minha vida é um presente de Deus, ainda que eu nem sempre faça por merecê-la tão boa, abri a janela e vi como é bom estar aqui. Em um único momento, tudo a meu dispor: a luz do dia, os sons, o vento, os cheiros, o meu coração batendo sem sustos, o dia 7 de dezembro acontecendo como a vida.
É saudável – às vezes desejável – que tenhamos desejos, ambições, que queiramos mais do que temos, mas penso que seja ainda mais importante ver a grandeza do que já temos e a nossa grandeza no que conquistamos.
E eu tenho uma janela para uma rua com árvores e pássaros, vizinhos abrindo e fechando portões, ligando seus carros, abrindo suas sombrinhas, seguindo seus cães enquanto eles farejam os postes, um riso de criança que deve vir do prédio maior, o papagaio cantando na casa ao lado…
Talvez eu esqueça essas imagens um dia, pode ser que eu esqueça tudo, mas agora celebro poder me lembrar o quanto caminhei para chegar até essa janela.
Nota: A janela não é esta, a janela não tem grades, mas este da foto sou eu olhando o mundo pela janela


