Vitória da Conquista vai ter um festival de teatro ainda este ano, assegura o presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, em audiência pública

Vitória da Conquista vai ter um festival de teatro ainda este ano, assegura o presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, em audiência pública

O teatro em Vitória da Conquista foi tema de debate em audiência pública realizada na Câmara Municipal, ontem (2), com participação de dramaturgos, atores, diretores, produtores e representantes da associações culturais, do governo municipal e do Conselho de Cultura, que discutiram a situação e os caminhos para o fortalecimento do teatro amador e profissional no município.

Como encaminhamento do debate, o presidente Ivan Cordeiro, proponente da audiência, anunciou a realização do Festival Municipal de Teatro de Vitória da Conquista. “A Câmara não vai apenas ouvir. Nós vamos agir. Tenho a honra de anunciar que a Câmara Municipal vai unir atores, diretores, produtores e coletivos culturais para realizar, ainda este ano, o Festival Municipal de Teatro de Vitória da Conquista”, afirmou.

Já na abertura o encontro, Ivan havia destacado a importância do teatro para a identidade cultural de Vitória da Conquista e defendeu a adoção de medidas concretas para fortalecer o setor.

“Vitória da Conquista sempre foi reconhecida pela força e pela vitalidade de sua produção cultural. Temos um celeiro de talentos, pessoas dispostas a produzir arte de forma ativa e apaixonada. No entanto, ao longo dos anos, o nosso teatro perdeu espaço e perdeu o fôlego, e precisamos debater, de forma madura e transparente, as razões dessa perda de vitalidade”, afirmou.

Ivan também apontou os principais desafios enfrentados pela classe artística. “Ouvindo a classe artística, o diagnóstico é claro: a falta de fomento contínuo, a escassez de incentivos governamentais efetivos e a ausência de políticas públicas consistentes têm sufocado o potencial dos nossos talentos cênicos. Mas a nossa cultura tem pressa e precisa de uma resposta rápida e articulada dos poderes públicos”, declarou.

O presidente ressaltou a importância da construção do Centro de Convenções e do teatro previstos para a área do antigo aeroporto. “Essa é uma vitória estratégica para o desenvolvimento urbano e cultural de Vitória da Conquista e de toda a Região Sudoeste. Esse equipamento vai dar um abrigo digno e moderno às manifestações artísticas que hoje sofrem com a falta de espaço”, destacou.

Os componentes da mesa e alguns presentes também falaram, a exemplo do professor de literatura, Dilson Oliveira. que fez uma contextualização histórica do teatro, desde suas origens na Grécia Antiga até sua chegada ao Brasil e seu desenvolvimento em Vitória da Conquista, ressaltando a relevância dessa manifestação artística ao longo dos séculos. Ao abordar os encaminhamentos da audiência, ele defendeu que o momento resulte em ações concretas para o setor.

A presidente da Casa da Cultura, Poliana Policarpo, destacou a importância histórica do Teatro Carlos Jehovah para a formação cultural de Vitória da Conquista e para o desenvolvimento de gerações de artistas. Ao defender a revitalização ou recriação do espaço, Poliana afirmou que o município precisa de um teatro mais próximo da população para garantir a continuidade das atividades culturais. “Precisamos de um espaço mais perto do povo para continuar existindo como artistas e como seres humanos, com mais dignidade”, declarou.

O escritor, poeta e dramaturgo Esechias Araújo Lima destacou a importância da audiência pública promovida pela Câmara Municipal para discutir o futuro do teatro em Vitória da Conquista e ressaltou a necessidade de fortalecer os grupos artísticos locais. Ao traçar um panorama da história do teatro conquistense, ele lembrou o protagonismo de grupos e artistas que marcaram época na cidade, mas lamentou a perda de espaço da atividade cultural nos últimos anos.

Para Esechias, o teatro vai muito além do entretenimento, sendo uma ferramenta de reflexão social e formação crítica: “O teatro é o espelho da alma de uma sociedade, é um instrumento de reflexão política, ética e existencial, uma arena em que se pode instigar o pensamento crítico”.

O presidente do Conselho Municipal de Cultura, Washington Rodrigues, defendeu o incentivo ao teatro amador e a formação de público como bases para o crescimento do setor. “Ninguém constrói uma casa pelo telhado”, afirmou. Washington também defendeu a ampliação do teatro nas escolas e a valorização das artes cênicas no município.

Já a diretora teatral Jeane Marie ressaltou a importância da integração entre diferentes linguagens artísticas e da vivência prática dos bastidores das artes cênicas em Vitória da Conquista. Ela afirmou que o teatro depende diretamente de outras expressões culturais, como literatura, música e artes visuais, além do trabalho coletivo e da dedicação dos profissionais envolvidos. “Eu sou do chão do palco. Eu conheço de fato os bastidores dessa grande arte que integra tantas outras artes”, afirmou. Jeane também relembrou iniciativas e festivais que marcaram a história cultural da cidade e defendeu a continuidade das políticas de incentivo à cultura.

O secretário municipal de Educação, Edgar Larry, destacou a força da produção cultural do município e defendeu o engajamento coletivo para fortalecer o setor. “A gente precisa se envolver, precisa participar, estar ativo, participando, compromissado”, afirmou. Citando a educadora Heleusa Figueira Câmara, Larry lembrou que “Conquista ferve arte” e ressaltou que a cidade se destaca pela riqueza de suas manifestações culturais. O secretário destacou a parceria com a Secretaria Municipal de Cultura (Secult) para o desenvolvimento de projetos que ampliem o acesso dos estudantes às artes cênicas.

Representando o presidente da Academia Conquistense de Letras, Esmeraldino Correia destacou a importância do teatro como elemento central da cultura e da formação social em Vitória da Conquista. Em sua fala, ressaltou o papel dos artistas locais e o impacto das artes cênicas na construção de vínculos humanos e coletivos. “Nós somos humanos, precisamos um do outro, precisamos olho no olho, precisamos de arte, de cultura”, afirmou.

A atriz, produtora cultural e licenciada em teatro, Dayse Andrade, integrante do Grupo de Teatro Finos Trapos e criadora da Rede do Teatro, destacou a importância da audiência pública como um momento histórico para a classe artística conquistense. Dayse também defendeu que as discussões superem as divisões entre teatro amador e profissional. “Da minha visão de mundo, compreendo tudo isso como teatro. Apenas teatro”, afirmou.

O presidente da Comissão de Cultura da Câmara, vereador Paulinho Oliveira (PSDB), defendeu a união de esforços para ampliar e estruturar as ações voltadas às artes cênicas no município. “Precisamos, urgentemente, unir forças para que possamos levar e evoluir o teatro da nossa cidade, começando pelas escolas”, afirmou.

O vereador Ricardo Babão (PCdoB) destacou que é precisa recurso financeiro para fazer teatro, arte e cultura e colocou seu mandato à disposição para colaborar com as iniciativas debatidas durante o encontro. “Pode contar com o nosso mandato e com o presidente Ivan Cordeiro para apoiar ações que fortaleçam o teatro e a cultura de Vitória da Conquista”, declarou.

Alecxandre Melquisedeque, secretário municipal de Cultura, destacou a importância da audiência pública como espaço de diálogo com a classe artística e reforçou ações e investimentos realizados pela pasta nos últimos anos para o fortalecimento do teatro em Vitória da Conquista. Ele ressaltou iniciativas como o Festival de Teatro de Conquista (Festcon), a atuação de artistas e produtores locais e o papel de programas de incentivo cultural em períodos como a pandemia. “O teatro é uma das mais nobres manifestações culturais da nossa sociedade. Ele forma cidadão, estimula pensamento crítico, preserva memória e transforma vidas”, afirmou.

O secretário também citou políticas de fomento implementadas com recursos de leis de incentivo, como a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo, que, segundo ele, possibilitaram o apoio a dezenas de projetos teatrais no município. Ele anunciou que a Secretaria de Cultura já trabalha na elaboração de edital para reforma do Teatro Carlos Jeová e defendeu a necessidade de captação de recursos externos para a revitalização dos equipamentos culturais da cidade. “A cultura não tem bandeira política. Nós precisamos de dinheiro, precisamos de emendas e de recursos para reformar os equipamentos”, declarou.

Além dos convidados que fizeram uso da palavra, artistas, produtores culturais e representantes da sociedade civil também contribuíram com sugestões, opiniões e propostas, enriquecendo o debate sobre os desafios e perspectivas para o fortalecimento do teatro em Vitória da Conquista. Também participaram do encontro os vereadores Ricardo Gordo (PSB), Subtenente Muniz (PDT) e Bibia (União Brasil), que acompanharam as discussões e as demandas apresentadas pelo segmento cultural.

COM REPORTAGEM, TEXTO INICIAL E FOTOS DA ASCOM DA CÂMARA MUNICIPAL

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