Que lamentável, Nonô! A apresentadora não é sua concorrente
No ano 2000, na eleição de prefeito de Itabuna, eu fazia parte da equipe de Geraldo Simões, do PT, que, naquela campanha, reuniu os mais importantes quadros da política itabunense, a exemplo de Ubaldo Dantas, Renato Costa e Davidson Magalhães, para enfrentar Fernando Gomes, que era o prefeito.
Foi a primeira eleição municipal depois da aprovação da reeleição e Fernando era o franco favorito. Tinha o apoio do carlismo e vinha de inaugurar diversas realizações, como o Hospital de Base, as duplicações da Avenida J. S. Pinheiro e da ponte do São Caetano, entre outras obras. Mas, com uma campanha focada nos valores pessoais e na independência do voto (‘No meu voto mando eu’), e com a força do grupo, a virada a favor de Geraldo não demorou para começar. E nesses momentos, surgem as pessoas que aconselham coisas não muito boas.
A certa altura, os ‘criativos’ da campanha de Fernando fizeram uma paródia qualquer, do que seria uma confusão dentro de um ônibus, e colocaram um ator com peruca loira, maquiado, para fazer parecer com a apresentadora da campanha de Geraldo, Micheline, uma pessoa carismática e trabalhadora, como se ela fosse uma travesti. A ‘brincadeira’ foi ao ar no programa eleitoral.
Claro, não pegou bem. A indignação começou fora do núcleo da campanha de marketing de Geraldo até chegar até nós, como um tapa na cara coletivo. Sempre houve um acordo tácito, ético, moral: os profissionais do marketing das campanhas eleitorais (e outros, como bandeireiros, por exemplo) não são os candidatos. Não educam e nem forjam o pensamento do candidato e lhes cabe, tão somente, executar a pauta que lhe dão. Vivem disso. Não mentem, emprestam suas vozes. Por isso, o respeito mútuo estabelece uma regra de não ataques entre si.
A jornalista Daniella Oliveira que, aliás, foi o rosto e a voz da campanha de Guilherme Menezes, em 1996, a primeira que o PT venceu em Conquista, noticiou na TV Sudoeste uma circunstância do transporte coletivo urbano de quando ela estava na emissora. Agora, trabalhando em uma campanha, ela é informada de que as coisas mudaram ou estão mudando, pelos seus contratantes, que, por presunção de honestidade, estão falando a verdade para ela e para a sociedade, e, assim, fez o seu trabalho, repassando o que lhe chegou como verdade.

Mas, deve ter acontecido de um gênio iluminado ir lá, soprar no ouvido do candidato Waldenor Pereira que uma das alternativas para ele virar a eleição seria atacar, não a candidata Sheila Lemos, sua adversária, ocupante do primeiro lugar nas pesquisas registradas, mas a moça que faz a apresentação do programa eleitoral dela. E Nonô, apelido carinhoso pelo qual as pessoas que mais confiam nele tratam o candidato Waldenor, aceitou a ideia. Não deve ter tido a ideia, mas aprovou. Que lamentável, Nonô! Que ausência de avaliação.
Se o candidato do PT se lembrasse do episódio de 2020 envolvendo a jornalista Indhira Almeida, que também trabalhou na TV Sudoeste e, naquela campanha, apresentava seu talento, rosto e voz ao programa eleitoral de Zé Raimundo, talvez tivesse pensado melhor sobre levar a agressão a Daniella à sua propaganda política e ao seu Instagram pessoal.
O caso de 2020, absolutamente condenável e tanto quanto vergonhoso, foi parar no Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), na Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e na Associação Baiana de Imprensa (ABI), que relatou em seu site: “O programa em que ocorreu o ataque à imagem de Indhira foi ao ar na última quinta-feira (05/11) e é de responsabilidade da coligação que busca a reeleição do atual prefeito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão (MDB). A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e outras entidades de classe repudiaram o ataque.”
Ainda de acordo com o site, “a peça publicitária acusou mais de uma vez a jornalista Indhira Almeida de ser mentirosa. O recurso escolhido não foi o de responder ou contrapor as informações passadas pela apresentadora do programa do adversário Zé Raimundo (PT), apresentado por Indhira, mas de personalizar a crítica na jornalista”.
E prossegue: “Em nota, os presidentes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se solidarizaram com Indhira, defenderam que ela foi atacada no exercício da profissão e classificaram a ato de ‘injusto, irresponsável, mesquinho e covarde’.
Injusto, irresponsável, mesquinho e covarde, não concorda, Nonô?



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