Mesmo com a ebulição da campanha eleitoral, é importante lembrar de Pedral, o maior construtor de Conquista
Há dez anos, nesta data, 16 de setembro de 2014, o mais importante político de Vitória da Conquista morria no Hospital Samur, depois de lutar contra o câncer. José Fernandes Pedral Sampaio entrou para a história como o grande construtor da Conquista moderna. Depois dele, surgiram outros dois grandes prefeitos, Guilherme Menezes e Herzem Gusmão, ainda assim, nenhum supera o engenheiro Pedral no tamanho político no estado e na capacidade de planejar a cidade visando o futuro.
José Pedral disputou a primeira eleição de prefeito com 33 anos. Foi vencedor em todas as urnas da sede, mas perdeu no interior do município, para Gerson Gusmão Sales, outro líder histórico, eleito pela segunda vez. Na eleição seguinte, foi eleito, aos 37 anos, com a ajuda do Padre Palmeira, deputado estadual, que conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa as emancipações de vários distritos, que viriam a se formar cidades, como Anagé, Barra do Choça, Belo Campo, Caatiba e Cândido Sales.
Mas, o mandato foi interrompido em maio de 1964, cassado pela ditadura militar. Pedral ficou sem poder disputar eleição até a anistia. Em 1982, ele se candidatou mais uma vez e foi vitorioso. Fez, então, o seu mais operoso governo, com obras marcantes que perduram até hoje, a exemplo das feiras cobertas do Ceasa e do bairro Brasil, vários colégios, sistema de água, drenagem e saneamento, abertura de ruas e avenidas, entre outras.

Pedral fez em 1985 o terminal de ônibus da Avenida Lauro de Freitas, uma obra prevista para durar 30 anos e que só foi substituído em 2021, depois de 36 anos. Ele revitalizou a antiga Praça da República, transformando-a em uma das mais bonitas da Bahia, com o nome de Tancredo Neves. É dele a ideia e a encomenda do Cristo na Serra do Periperi, realizado por Mário Cravo Neto em 1963, projeto interrompido pela ditadura e inaugurado em 1979.
O Hospital Esaú Matos e a Biblioteca Municipal também nasceram com Pedral. Além deles, na mesma época, Pedral trouxe três escolas, então nominadas como Iara Cairo, Maria Célia Ferraz e Iza Medeiros. Tudo pré-fabricados em estrutura de argamassa armada, na Fábrica de Cidades, mantida pela Prefeitura de Salvador, quando Mário Kertész era prefeito da capital.
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Reeleito em 1992, Pedral, no entanto, não conseguiu repetir o sucesso do período anterior (1983-1989). De 1993 ao final de 1996, teve uma gestão pressionada por escândalos, falta de recursos para obras, salários de funcionários atrasados, sujeira nas ruas e rachas no grupo político.
O fracasso da última administração acabou por firmar-se na memória recente da sociedade conquistense, compreensível em uma cidade em que 60% da população atual ainda não havia nascido ou era criança em 1988, quando ele encerrou o mandato mais profícuo.
No ano que vem, Pedral faria 100 anos. Ele nasceu no dia 12 de setembro de 1925. O vereador Luis Carlos Dudé deu entrada em projeto de lei criando o ano do centenário de José Fernandes Pedral Sampaio, uma oportunidade para fazer a justiça da memória.



