Quem nasce em Vitória da Conquista poderia ser mineiro. Conheça esta e outras curiosidades históricas da cidade
Deu-se que, há 20 dias, comemorou-se o aniversário de Vitória da Conquista, em referência à data em que se instalou a Imperial Vila da Vitória e o Conselho Municipal (atual Câmara de Vereadores). Mas, 9 de novembro não é a única data que poderia ser escolhida como aniversário desta que é a terceira maior cidade da Bahia e a 67ª mais populosa do Brasil. Longe de ser uma mera polêmica, são dados históricos.
A lei que desmembrou o Arraial da Conquista do município de Caetité e o transformou em Vila e Freguesia foi publicada em 19 de maio de 1840 (Lei Provincial nº 124);
No dia 9 de novembro do mesmo ano, a Imperial Vila da Vitória foi instalada, junto com o conselho (Câmara);
Já a cidade de Conquista, com este nome, passou a existir administrativamente em 1º de julho de 1891, mais de meio século depois.
E aqui cabem algumas perguntas ao leitor: a data em que se comemora o aniversário da cidade é a mais lógica das três? Poderia ser 19 de maio, data da lei que se deu a emancipação do arraial a vila, quase seis meses antes, ou teria que ser, mesmo, a data da instalação do Conselho Municipal, em 9 de novembro?
E se considerarmos que até 1891 não havia uma cidade, que só surgiria, oficialmente, a partir do ato oficial de 1º de julho de 1891, esta data também deveria ser a comemorada? Neste caso, a cidade teria 133 anos e não os 184 que festejamos no começo deste mês.

A ‘polêmica’ foi só para puxar assunto. Vale é que o dia 9 de novembro é o momento em que nós, conquistenses, aqui nascidos ou chegados, reforçamos nossa alegria por vivermos em um lugar ainda cheio de problemas e demandas para resolver, mas com uma oferta de qualidade de vida acima da média das cidades brasileiras e bem à frente da maioria das cidades baianas.
Mas, você sabia que os aqui nascidos desde 1831 poderiam ser mineiros e não baianos?
Em 1831, a Freguesia do Rio Pardo – que incluía o termo de Caetité e, dentro dele, o Arraial da Conquista – foi elevada a Vila da Província de Minas Gerais. Essa situação administrativa durou até 1839, quando ocorreu o desmembramento, depois de muitos protestos de moradores da região, desde Caetité.
Um ano depois, viria a emancipação, com a denominação de Vila Imperial da Vitória. Feitas as contas: por oito anos os conquistenses foram mineiros. Se continuasse, seria melhor, pior ou tanto faz?
Conquista, Vitória, Conquista, Vitória da Conquista, mas sempre Conquista
Ninguém se importa com a redundância do nome da cidade. Lá no comecinho dela, o nome fazia referência à vitória dos invasores sobre os habitantes originais exterminados, os indígenas Mongoyó (ou Kamakan), Ymboré e Pataxó, por isso o primeiro nome oficial, advindo de uma lei, foi Imperial Vila da Vitória. Meio século depois, quando a vila virou cidade, outra lei deu o nome de Conquista ao lugar.
Vitória e Conquista são sinônimos, significando avanço, êxito, glória, progresso, sucesso, triunfo…

Foi o presidente Getúlio Vargas (na época exercendo poder ditatorial que começou em 1930 e foi até 1945) quem decidiu, em 1943, que duas ou mais cidades brasileiras não poderiam ter o mesmo nome, e aquela que tivesse o registro mais antigo ficaria denominada como estava.
Havendo Conquista na Bahia e em Minas Gerais, sendo a de lá mais velha, o governo da Bahia, por meio do Decreto-Lei nº 141, de 31 de dezembro de 1943, mudou o nome de Conquista – que era só assim, Conquista – para Vitória da Conquista.
Tem uns poucos esclarecidos que, longe daqui, a chamam de Vitória, para ouvir de volta de um conquistense uma imediata e justa reprimenda. Vitória não pode, essa é a capital do Espírito Santo. Mas chamar de Conquista pode. Aliás, é o nome mais utilizado. Você mora onde? Conquista.
Mas, alguém topa mudar o nome e voltar, oficialmente, a ser apenas Conquista, como era até 1940? Quá!
FONTES
A sequência de atos políticos, administrativos e até religiosos que derivou na terceira maior cidade da Bahia e 67ª do Brasil, da qual se diz ser a melhor do estado para se viver, é contada por muita gente, desde muito tempo, incluindo um príncipe alemão (Maximilian Alexander Philipp Wied-Neuwied), historiadores, memorialistas e jornalistas, entre os locais, em artigos e teses que dão um grande prazer pesquisar e ler. Tudo no Google. (Ruy Medeiros, Belarmino de Jesus, Ebeilde Goulart, Isnara Pereira, Idelma Aparecida, Maris Stella, Renata Oliveira…)


