Sheila garante que não deixará prefeitura para se candidatar em 2026 e diz que novo governo não será bolsonarista

Sheila garante que não deixará prefeitura para se candidatar em 2026 e diz que novo governo não será bolsonarista

Durante a campanha eleitoral, o principal adversário da prefeita Sheila Lemos (União), deputado federal Waldenor Pereira, do PT, usou grande parte do tempo da propaganda eleitoral no rádio, TV e redes sociais chamando a gestora de bolsonarista, com fotos de quando ela e o ex-presidente Jair Bolsonaro se encontraram. No entendimento dos adversários, posição tomada por Sheila no segundo turno da eleição de 2022 a classificaria como bolsonarista.

A reação da campanha de Sheila foi recorrer para tirar as mensagens do ar, tendo conseguido decisões favoráveis em que a Justiça Eleitoral atendeu os argumentos dos advogados de que a prefeita “não possui qualquer vínculo político-eleitoral com o ex-presidente”.

A prefeita de Vitória da Conquista sempre disse que procurou manter relação institucional com todas as autoridades, federais ou estaduais, dos poderes executivo e legislativo, como representante do município. Em relação aos registros dela com Bolsonaro em Vitória da Conquista, sempre no aeroporto, Sheila explicou que os contatos se deram por se tratar de um presidente da República na cidade, quando ela aproveitou para levar pautas do município.

Na entrevista que o BLOG fez com a prefeita, na terça-feira (24), ela explicou sua posição política, considerando sua filiação partidária e o possível cenário de 2026 – quando, assegura, não deixará o mandato de prefeita para ser candidata outro cargo – e voltou a afirmar que é de centro e não exerce uma posição bolsonarista, enfatizando que na política nacional segue o que o União Brasil e, principalmente, ACM Neto orientarem.

BLOG – O seu vice-prefeito é do Republicanos, que se diz o partido mais conservador do Brasil, de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro; a mulher do vice, vereadora eleita, é bolsonarista de quatro costados. Sua campanha, mesmo que já no fim, teve a participação da ex-ministra e atual senadora Damares, uma representação nacional do bolsonarismo. Por outro lado, a prefeita nunca disse que não gosta ou odeia Bolsonaro, mas negou – na campanha – a condição de bolsonarista. Mas, com Ivan Cordeiro, do PL, que se apresenta como o maior representante de Bolsonaro na cidade, na presidência da Câmara com o seu apoio, e sendo seu vice-prefeito do Republicanos, o seu governo poderá assumir um contorno mais bolsonarista?

SHEILA LEMOS – Não. O que é ser bolsonarista? O que é isso?

BLOG – Defender Bolsonaro.

SHEILA LEMOS – Mas por que defender uma pessoa? Eu sempre disse que eu sou de um partido de centro e sempre vou escolher um partido que seja de centro-direita. Os princípios da esquerda não me convencem, não é isso que eu acredito, então eu sou de centro-direita. E nunca gostei de extremos, eu acho que extremo nenhum é bom, nem o extremo da direita, nem o extremo da esquerda. Por isso que eu gosto do centro, porque no centro você está ali e vai compor mais de um lado ou do outro, o centro significa que você está para composição.

Não é como algumas pessoas pensam, que quem está no centro está em cima do muro. Não; é para composição. O que é bom? Qual a proposta que é boa? Qual é a proposta que vai garantir que a sua cidade vai ter liberdade econômica; vai ter cuidado com o social; vai trazer emprego e renda; saúde de qualidade e uma educação que verdadeiramente ensine? Qual é essa proposta? E aí, quem está no centro, segue essa proposta, então eu sou de centro.

Vamos botar aqui: meu partido está com uma perspectiva de lançar Caiado [governador de Goiás] à Presidência da República, é claro que eu vou ficar com meu partido. Ou se o União Brasil não lançar Caiado e decidir apoiar, vamos supor, Tarcísio [Freitas, governador de São Paulo], pelo Republicanos, nesse caso, eu vou com o Republicanos, vou apoiar o candidato do Republicanos. Sempre um candidato que for de centro-direita. Mas não é ser Bolsonaro.

BLOG – Sim, mas, mas veja, o União Brasil tem ministros no governo Lula e o deputado federal que a senhora apoiou em 2022, Elmar Nascimento está trabalhando, brigando, inclusive, com Caiado, pelo apoio a Lula. Como fica?

SHEILA LEMOS – Então, seguirei o que União Brasil vai decidir. E a liderança do União Brasil é ACM Neto.

BLOG – Já que falamos de 2026, a prefeita fica no carfi ou sai para outros voos políticos?

SHEILA LEMOS – Saio não, fico. Meu desejo é cumprir os quatro anos como prefeita de Vitória da Conquista.

BLOG – Mas aí poderia encerrar a sua vida política.

SHEILA LEMOS – Sim. Eu gosto do [poder] executivo, eu gosto de mudar a vida das pessoas, de melhorar a vidas das pessoas, e isso eu quero fazer até o fim do mandato, em 2028.

BLOG – José Pedral foi prefeito de 1983 a 1988, saiu para Murilo Mármore entrar, depois disputou de novo e venceu em 1992. Guilherme Menezes foi prefeito de 1996 a 2002 e voltou em 2009, eleito de novo em 2008. Seria possível acontecer com Sheila o que aconteceu com os ex-prefeitos: sair, deixar passar quatro anos e voltar a disputar em 2032, já que a senhora gosta do papel de gestora municipal, e estará com cerca de 60 anos, uma idade considerada boa para mais um mandato, pelo menos?

SHEILA LEMOS – Não. Eu acho que oito anos já são uma excelente contribuição que eu estou dando à minha cidade.

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