Câmara inicia sessões e vereadores passam a influir na vida dos cidadãos, mas não eleitos e eleitores podem dizer o que (não) querem

Câmara inicia sessões e vereadores passam a influir na vida dos cidadãos, mas não eleitos e eleitores podem dizer o que (não) querem

Nesta quarta-feira (5) acontece a primeira sessão da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista com os 23 vereadores eleitos em outubro. A partir de então, começam os trabalhos legislativos e os parlamentares passam a exercer, de fato, o poder constitucional de ‘mexer’ com a vida do município e de cada cidadão que vive em Vitória da Conquista.

Pela Câmara Municipal passam de projetos que dão nomes a ruas até o plano que define o zoneamento urbano e determina onde pode ter indústrias, lojas, casas, qual vai ser a altura dos prédios etc.

A composição da Câmara que começa a funcionar nesta quarta tem dois vereadores a mais que na legislatura passada. Eles receberam, no conjunto, 68.673 votos, equivalentes a 37,61% dos votos válidos (total de votos menos nulos e brancos) e a 26,64%, pouco mais de 1/4 do total de 257.784 eleitores.

E quem vai falar no lugar do eleitor e votar por ele (em tese) em todos esses assuntos e outros importantes são parlamentares que foram votados por menos de um terço dos eleitores (com 16 anos ou mais e 65,4% da população geral).

Eles votarão o orçamento da Prefeitura, a criação de taxas e tributos, a estrutura administrativa do Município, a autorização para empréstimos, os salários dos gestores e leis que interferem no funcionamento da cidade e, por consequência, na vida das pessoas.

E o que fazer se eu não gostar do que será feito em meu nome? Reclamar. Dizer aos vereadores, procurar a mídia, falar com o candidato em quem votou e não venceu e cobrar dele posicionamento que não seja apenas na época da eleição.

Os 23 vereadores terão o voto, a prerrogativa de apresentar seus próprios projetos e aprovar ou reprovar projetos que forem enviados pela prefeita Sheila Lemos (União), mas todos os demais candidatos que concorreram na eleição mantêm sua representatividade, pois lideram em alguma comunidade ou setor da sociedade, profissão, religião etc.

Para efeito de compreensão dessa força, só de candidatos que tiveram mais de mil votos e não foram eleitos são 34, que somaram 55.438 votos no dia 6 de outubro.

A atuação fiscalizadora dos eleitores e dos candidatos não eleitos, principalmente aqueles que desejam um dia fazer parte do legislativo municipal, pode provocar um ganho de qualidade no desempenho da Câmara Municipal, de modo que a independência que ela propaga sobre si mesma possa se tornar realidade e toda a sociedade sentir-se representada, não apenas os 26% que votaram nos 23 vereadores que passam a ter voz e caneta para influir nos destinos dos cidadãos.

Letreiro visível no plenário da Câmara de Vereadores traz uma parte do parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal, que diz: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
Os vereadores trocaram o poder do povo exercido diretamente por reticências.

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