Alan Fernandes: “Não tenho vaidade pessoal de ser prefeito, mas se o grupo decidir que devo ser candidato, estou pronto”

Alan Fernandes: “Não tenho vaidade pessoal de ser prefeito, mas se o grupo decidir que devo ser candidato, estou pronto”

Na parte anterior da entrevista, Dr. Alan, vice-prefeito de Vitória da Conquista falou das eleições para deputado que se aproximam (em 2026). Ele afirmou que não será candidato à Assembleia Legislativa, mas o pensamento muda quando o assunto é a Prefeitura. Ele diz que não tem vaidade pessoal de ser prefeito, que, como sempre, o grupo é que define e se assim acontecer, que ele está pronto. Falamos ainda da perspectiva de poder do grupo político ao qual pertence e declarou que fará tudo para que repita os longos ciclos de MDB de José Pedral e do PT, mas também diz acreditar que a alternância é boa para a democracia.

BLOG – Outro assunto que não dá para fugir é que Sheila foi reeleita, não pode ser mais candidata, o grupo perdeu Herzem, que faleceu em 2021, e padece de uma renovação. E essa renovação se dará, provavelmente, a partir da eleição deputado, mas certamente na eleição de prefeito. E não tem como fugir da probabilidade, da expectativa que a cidade vai ter, se Alan é candidato a prefeito. Dentro do grupo, há vários nomes que podem ser, as pessoas falam ou elas, mesmas comentam. Para prefeito é um plano, é um desejo?

DR. ALAN – Tem muita coisa para passar debaixo da ponte. Eu costumo dizer que eu ainda escuto o som dos fogos da eleição, então eu acho ainda está muito perto de 2024 para falar sobre isso agora. Mas, todo mundo tem o direito de sonhar e talvez o meu sonho esteja um pouco próximo do que o de outras pessoas, mas existe, e é natural que exista, outros personagens que podem também sonhar em ser candidato a prefeito do nosso grupo, é natural. Eu acho que no momento certo nós vamos sentar e decidir quem vai ser esse candidato.

Acredito que a opinião de Sheila vai ser muito importante, a opinião também, a nível estadual, de ACM Neto, e aqui nós, nos reunirmos e se for necessário, como já falei, estarei preparado. Mas se a decisão do grupo for diferente e a gente achar que tem pessoas que estão mais próximas, que tem apoio maior da população, eu vou apoiar do mesmo jeito. Eu penso sempre no grupo, não tenho nenhum pensamento meu, assim, de vaidade pessoal, de ser prefeito. Se acontecer, eu estarei preparado e se a decisão do grupo for por outro nomes também estarei ali apoiando, sem problema.

Alan afirma estar pronto, se precisar assumir lugar de Sheila

BLOG – Por favor, analise para mim o seguinte: você disse que está se preparando para o que acontecer, se Sheila ficar (não sair candidata a nada em 2026), você continua com o mesmo empenho no trabalho que vocês estão fazendo juntos. E se Sheila vier a ser candidata, você está preparado para assumir, como também está se preparando para assumir, na eventualidade de ser eleito prefeito. Mas se você fosse analisar já como gestor, o que diria que Vitória da Conquista tem de mais complicado, que dá mais trabalho para alguém que esteja à frente do governo?

DR. ALAN – Eu confesso, quando rodo a cidade, vendo os problemas, na cidade, na zona rural, realmente ainda tem muita coisa ainda para resolver. E Sheila fala isso, se tivesse tudo pronto, ela não se preocuparia. Vejo que a gente ainda precisa evoluir na pavimentação, precisa de mais asfalto, com a devida drenagem. E temos que diluir um pouco essa responsabilidade, porque foram criados vários loteamentos sem estrutura, lá atrás, e ficou tudo na conta da Prefeitura.

A gente precisa também resolver a questão da macrodrenagem, das águas pluviais, um transtorno muito grande, sazonal, todo ano a gente tem essa dificuldade no final do ano, por sorte, esse ano não foi tão grande, mas a gente precisa se preocupar. E cito também os viadutos nas saídas principais, ali na saída para Anagé, na saída para a Barra do Choça, e na saída para a Ilhéus, que para mim são coisas urgentes que precisam ser resolvidas.

BLOG – A cidade é conhecida como a melhor cidade da Bahia para se viver, mas não deve ser porque tem asfalto muito ou pouco. Em outras áreas relacionadas ao bem-estar das pessoas, ou bem-estar social, o que você acha que ainda pode ser feito e que vocês estão buscando nesse caminho?

DR. ALAN – Pois é, é a melhor cidade da Bahia para se viver. Não é uma opinião minha nem sua, né? É avaliada pelo índice de progressão social, de Harvard. Eles analisam vários pontos e definem a cidade melhor para se viver. Isso não quer dizer que não tenha problema. Mas assim, Giorlando, nós temos, na área educacional, uma boa estrutura, e a gente vai continuar a evoluir nas escolas de tempo integral, nós já temos escola de tempo integral na zona rural e na cidade. Nós temos também um bom trabalho na área de desenvolvimento social, isso é bem claro, mas as demandas são muito grandes, a gente precisa estar sempre atento.

E a gente precisa construir a cidade dos 200 anos, data que está muito próxima, falta pouco tempo para que a gente possa construir essa cidade. Precisamos preparar Vitória da Conquista para o futuro. O que a gente vê é uma cidade que está numa pujança, querendo realmente crescer e a gente não pode deixar de estimular isso. Como instituição pública, a gente tem que facilitar o empreendedorismo, o crescimento, de uma forma ordenada, para que a gente possa realmente ter uma grande cidade a partir dos 200 anos.

BLOG – O grupo pedralista – se a gente colocar Jadiel Matos (prefeito de Vitória da Conquista de 1973 a 1976) como do grupo, porque ele era MDB, de oposição a Antônio Carlos Magalhães, ficou no poder municipal por 24 anos, seis com Raul Ferraz, seis com Pedral (1983-1988), quatro de Murilo e mais quatro de Pedral (1992-1996), somando 24. O grupo do PT ficou 20. Esse grupo que Herzem criou irá para os 12 anos, ao completar este mandato: quatro com Herzem, quatro com Sheila e mais quatro a partir de agora. Considerando o que aconteceu na eleição passada, em que a gente viu que o PT não tem mais a mesma força, teve muita dificuldade para se firmar na eleição, chegando inclusive a fazer uma bancada menor de vereadores, você acredita que Vitória da Conquista está diante de um outro ciclo de mais de 20 anos?

DR. ALAN – Nós estamos no meio dele, no meio do ciclo. É um contexto que pode realmente acontecer, até como uma estatística, e às vezes esse ciclo realmente se repete. Se for isso, nós estamos no meio dele. Então, isso quer dizer que a gente pode ter mais de um ou dois mandatos, de uma forma tranquila. Mas isso pode mudar, vai depender de grupo. É difícil você comandar uma cidade do tamanho de Vitória da Conquista por muito tempo, porque as demandas são muito grandes, os problemas são muito grandes e é evidente que a pressão para quem está no governo também vai crescendo. Nem sempre você consegue agradar muita gente durante muito tempo.

E, de repente, essa mudança de ciclo seja interessante do ponto de vista democrático e até para própria cidade, para dar cara, dar oportunidade de outros grupos também comandarem, mostrar seu trabalho. A gente não pode ter a cidade como patrimônio de um grupo, entendeu? Então, eu acredito, do ponto de vista democrático, pode se salutar a alternância. Eu continuarei defendendo o meu grupo, as minhas ideias. Se for possível, de minha parte, tentar empurrar esse ciclo mais para a frente.

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