Exclusivo: Dr. Alan fala da experiência como vice-prefeito de Vitória da Conquista, da relação com Sheila e do futuro político
O lugar era mais que apropriado para uma conversa tranquila. A Cafeteria Moinho fica na Siqueira Campos e apesar de toda hora chegar gente, as pessoas conversam baixo, ninguém fica reparando nas outras mesas, a demonstrar curiosidade. Daria até para falar de assuntos secretos com o vice-prefeito de Vitória da Conquista, Doutor Alan, mas se tem uma coisa que logo vi que ele não precisa é de conversa aos cochichos, como se houvesse o que esconder.
Médico ortopedista, Alan é um político que milita na direita, aliado de primeira hora do ex-prefeito Herzem Gusmão e depois da prefeita Sheila Lemos. Sua posição mais conservadora, no entanto, não impede que ele tenha excelentes relações com pessoas da esquerda, que em Vitória da Conquista é tratada quase somente como PT. É que Alan é educado, respeitoso e inteligente, bom de conversar. Considerando as devidas distinções, vejo nele um comportamento como o do deputado José Raimundo Fontes: cordial, embora sempre firme nas convicções.
A entrevista durou cerca de 35 minutos, transcrita a leitura levaria mais de 25 minutos, assim, para permitir ao leitor ler tudo, sem cansar, vamos dividir em partes. Todas boas, asseguro. Quem ler uma vai querer ler a outra.
PARTE 1
A primeira coisa que perguntei ao Doutor Alan foi como está sendo essa nova fase da vida política dele, que sempre participou, mas nos bastidores, apoiando, sendo que no ano passado foi escolhido para a chapa de Sheila, em uma campanha intensa que o colocou em um gabinete da prefeitura como vice-prefeito. Como é encara essa nova responsabilidade?
DR. ALAN – É uma mudança importante. Quando você participa de uma forma não oficial, você é um admirador, você é um estimulador, você torce, mas aquela responsabilidade da gestão não cai sobre suas seus ombros. Quando você é eleito e assume essa responsabilidade, há um crescimento da preocupação com as situações da Prefeitura. Mas hoje, eu posso dizer que me sinto empolgado, envolvido, gostando, inclusive, de fazer uma imersão nas atividades da gestão. É claro que o vice não tem uma condição de deliberação, é mais uma posição de assessor, de um amigo, um apoiador, mas é interessante conviver com os protocolos do dia a dia da Prefeitura, participar de uma forma mais efetiva dos processe e da condução da política de nossa cidade.
BLOG – Você é vice-prefeito no governo de uma prefeita que passou quatro anos sem vice. Ela não tinha essa companhia de uma pessoa com quem ela pudesse, digamos, dividir as preocupações. Como você disse, o vice-prefeito é um assessor, alguém que aconselha, que está vendo tudo junto, mas que acaba não deliberando. Entretanto, você hoje está com uma prefeita que por quatro anos não teve um vice. Você percebe que a prefeita Sheila Lemos tem sido mais confiante, por ter alguém ao lado dela, alguém que lhe dá esse apoio como vice, ou você acha que ainda há uma adequação a ser feita, que é pouco tempo?
DR. ALAN – Eu diria que eu sinto mais confiante no sentido de dividir, realmente, algumas situações, principalmente públicas, de demandas de agendas. É difícil você interpretar a emoção que ela sente – eu acho que essa pergunta poderia ser para ela – mas o que eu faço é ser um vice participante, que apoia, um amigo, um companheiro, mantendo sempre uma ética, uma conduta, para não parecer mais importante do que eu sou e poder é ajudar melhor no dia a dia. Eu acho sinto que dos últimos dias para cá, ela está muito mais confiante, mais solta, digamos assim, nesse sentido de ter ali um vice ao lado.
Não há uma cartilha de comportamento de vice, e eu lhe digo que é importante encontrar o equilíbrio, porque você precisa participar, precisa ajudar, mas não tem o poder de deliberar, ao mesmo tempo que não pode aparecer mais do que a nossa líder maior. Mas Sheila tem me delegado algumas demandas, que eu tenho cumprido, e estou satisfeito com o que eu faço. A minha relação com ela é extraordinária, relação de amigo, de amizade mesmo. Não houve e não há nenhum tipo de desgaste, a gente sempre pensa em um entendimento harmonioso e produtivo e fazer o melhor para para a nossa cidade.
Às vezes, quem está de fora não compreende por que que a prefeita toma determinadas posições, mas quando a gente estuda, participa, e vê a situação financeira da Prefeitura, é que você compreende porque determinadas posições são tomadas e isso ou aquilo foi necessário. No caso dela, é preciso ser muito firme, porque afinal de contas, em um município com quase 400 mil pessoas, a demanda é muito grande, nós temos muitos problemas, e o dia a dia da nossa prefeita realmente é muito difícil. Então, nesse sentido, a minha ideia é ajudar a diluir um pouco essa pressão que naturalmente existe sobre a gestora.

BLOG – Você está dentro da máquina e embora fale em não deliberar, é evidente que você participa das reuniões decisivas, você participa dos momentos de decisão mas difícil. Este ano, nós não tivemos momentos muito críticos, a gente não teve chuva, a situação é razoavelmente tranquila, considerando os anos anteriores, logo que Sheila assumiu. Mas você está lá dentro, como é a sua relação, como é que o governo, não mais Sheila, como a estrutura governamental, os cargos do primeiro time se relaciona com você? Você é consultado, sente que as pessoas estão confortáveis com sua presença, considerando, principalmente que todo mundo Fez do governo interior, onde não havia um vice?
DR. ALAN – É como se eu fosse uma novidade dentro do governo, mas a recepção foi muito boa. O secretariado ele se mantém. Eu tenho uma relação muito sincera com todos, reconhecendo o meu papel, a minha colocação, mas com muito respeito, com educação e com jeito, eu também consigo mostrar a minha visão, algumas coisas que eu penso do governo. E participo, sim, junto com ela e com os demais assessores mais próximos, das decisões que são importantes para a nossa a cidade.
E como te falei, me sinto muito prestigiado, nas relações com os secretários, com os servidores, com aa própria prefeita, na relação com os vereadores da base. Eu me sinto feliz hoje no que eu faço. Eu acho que isso que o mais importante é você ter prazer no que você está fazendo.
BLOG – Se a gente fizer uma leitura histórica, ir lá atrás, vamos ver que o último prefeito de Vitória da Conquista antes do período de 20 anos do PT foi Pedral ele não teve vice. Margarida Oliveira foi eleita junto com ele e optou por ficar na Assembleia Legislativa, ela era deputada. Depois entrou Guilherme, que teve como vice primeiro, Clovis Assis, eles acabaram se desentendo, Clóvis era do PSDB, de Fernando Henrique, e Guilherme, do PT, e havia aquela rixa naquele tempo, e o vice-prefeito não não assumiu cargo no governo. No governo petista, nenhum vice-prefeito assumiu cargo de secretário. E com Herzem, Irma Lemos assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Social. Com a sua chegada, muita gente imaginou que você poderia ser um secretário, pela sua experiência em diversas áreas, saúde, administração, esporte… Você chegou a pensar nisso ou você acha que a sua contribuição não muda pelo fato de você não ser secretário?
DR. ALAN – Então, é evidente que dentro das opções que você tem na política, você tem que pensar, se poderia contribuir mais sendo secretário ou não. O que eu vi, analisando com consciência, é que eu poderia contribuir muito mais sendo vice, participando das decisões políticas e das articulações, estando próximo da prefeita. Acredito que sendo secretário teria uma dificuldade nesse sentido. Houve algumas especulações, mas no entendimento nosso com a prefeita, realmente não houve nenhum pleito, nenhuma conversa, nenhum acordo para que eu assumisse secretaria. Então, sendo sincero, eu prefiro conduzir sendo um bom vice e fazendo um papel político, uma articulação do governo.



Excelente entrevista!!! Mantendo sempre a coerência.