Dia do jornalista: um texto auto-laudatório de um dinossauro que não sucumbe aos meteoros e segue livre para sempre

Dia do jornalista: um texto auto-laudatório de um dinossauro que não sucumbe aos meteoros e segue livre para sempre

Hoje, 7 de abril, é o dia do jornalista. Infelizmente, para o jornalismo conquistense a data coincidiu com duas notícias tristes. Foi enterrado o corpo do jornalista Ricardo De Benedictis, aos 85 anos, um representante da velha geração que fez a imprensa de Vitória da Conquista entre os anos 1980 e 2000. E faleceu a mãe de Paulo Nunes, outro que está na estrada há muito tempo e é um dos mais conhecidos nomes da comunicação conquistense.

Benedictis fez muito mais que jornalismo. Era impregnado de cultura. Se a sua biografia só tivesse a criação e realização do Festival de Inverno da Bahia ele já estaria entre os mais importantes produtores de cultura da Bahia.

Mas, ele também escreveu livros. Foi poeta. Criou jornais, redigiu, editou. Marcou a história em uma terra de pouca memória e ainda menor respeito. Deixou o planeta sendo homenageado no dia do jornalista.

Já Paulo Nunes está vivo, baqueado, mas vivo. Superou AVC, infarto, neoplasia prostática e sabe-se lá mais o quê ele não nos contou. Hoje ele está em Feira de Santana, foi para lá ajudar a cuidar da mãe, que já estava muito debilitada há alguns meses.

Eu e Paulo somos dois dos mais antigos jornalistas da cidade. Ele diz que eu sou o mais antigo em atuação na região. Cheguei aqui em 1983, ele iniciou em 1987. Ainda tem Wellington Gusmão, que começou em meados de 1985. Mas, ele não atua mais na área. E temos Jeremias Macário, que não para. A diferença é que Jeremias não estava aqui nos anos 1980.

Ou seja: somos os dinossauros da imprensa conquistense, eu e Paulo Nunes. Já me chamavam assim desde o tempo do Orkut.

Fiz muito como jornalista em Vitória da Conquista: TV, rádio, jornal, revista, assessorias, campanhas, blog… Criei veículos de imprensa, trabalhei em empresas, para colegas, ganhando pouco ou ganhando nada. Trabalhei tanto e honestamente que continuo pobre, mas absolutamente feliz, porque livre.

Foi uma vida desviando das chuvas de meteoros. Ouvi muita ameaça de Triceratops valentões, percebi muita indiferença de Brachiosauros e fiz de conta que não estava nem aí para os arrotos de poder dos Tiranossauros rex.

Eles esmagavam com suas patas pesadas e eu, Pterossauro, sobrevoava sobre sua arrogância ou tentativa de desprezo. Mas, como na música Pavão Misterioso, de Ednardo, eu sei que eles são muitos, mas não os temo, porque posso voar.

Até hoje me esquivo de tempestades de meteoro e da brutalidade dos poderosos, protegido pela tranquila convicção de que me basta ser ético e repudiar as facilidades. Jornalismo não combina com facilidade, é um ofício duro e uma difícil missão.

Os dias não são fáceis para o jornalismo verdadeiro, isento, informativo, bem feito. É um ambiente com pouca perspectiva para todos os que atuam com correção e ética, imagine para um velho jornalista que não abre mão disso.

Mas, é nesse cenário que reafirmo minha convicção e profissão de fé e me reinvento dia a dia. Eu poderia ser qualquer coisa na vida, mas escolhi isso que tento mostrar a vocês, com a máxima qualidade que eu possa alcançar, desde 1978.

Não desistirei enquanto tiver vida. Serei sempre jornalista, mesmo que não restem os meios modernos e usuais para fazer meu trabalho. Se precisar, riscarei com carvão no papelão ou colarei nos postes letras recortadas de embalagens.

Pode apostar.

N.E.: Se ‘auto-laudatório’ estiver errado, me perdoem.

“Não temas, minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar.”

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