Depois de recorde em 2022, Conquista sinaliza número reduzido de candidaturas para deputados em 2026, quando mais precisa



Desde 2004, todos os prefeitos de Vitória da Conquista recorreram a empréstimos bancários para realização de obras e tomaram cerca de R$ 1 bilhão, em valores corrigidos, incluindo encargos. Os argumentos usados sempre foram parecidos: a arrecadação própria não cobre direito nem os custos dos serviços básicos; os investimentos em infraestrutura são muito caros; ou não chegam emendas parlamentares suficientes para ajudar a Prefeitura a reduzir as demandas de drenagem e pavimentação da cidade. Atualmente, esse é o ponto mais contundente: na falta de emendas, o caminho seria buscar financiamento e pagar juros altos.
Quando se fala em emendas, as de deputado estaduais nem sempre entram na conta, mesmo que não sejam irrisórias. Para 2025, são R$ 9,08 milhões por deputado. Mas a atenção maior se volta para o Congresso Nacional, onde o valor é mais significativo, podendo atender a grandes obras. Há a possibilidade de emenda individual, de bancada, de comissão e de relator. Para este ano, cada deputado federal tem direito a R$ 24.598.500,00 por emenda individual, sem os demais tipos.
No ano passado, Vitória da Conquista foi apenas o 14º dentre os 18 maiores municípios da Bahia em emendas federais, considerando o valor per capita. Quando a comparação é com todos os 417 municípios, Conquista fica ainda mais atrás. Barra do Choça, por exemplo, recebeu mais: R$ 7.492.209.81, o que dá R$ 194,69 por habitante. No caso do maior município da região e terceiro maior do estado, em 2024 foram R$ 11,78 per capita.
Que Barra do Choça precisa de muito mais ninguém tem dúvida, porém se espera que também seja dada a Vitória da Conquista a importância politica que ela merece e a atenção que seus moradores demanda. Pela estimativa populacional de 2024, feita pelo IBGE, há mais de dez Barras da Choça dentro de Vitória da Conquista e, certamente, quase os mesmos problemas básicos que todas elas. Mas, o tamanho do município e sua densidade indicam que os problemas são maiores.
Parece óbvio que ao invés de aumentar a dívida financeira da Prefeitura com bancos, fica mais barato eleger mais deputados federais comprometidos com o município, de modo que os recursos da União cheguem, se não para financiar todas as obras pelo menos para reduzir o tamanho do empréstimo a ser tomado. Mas, ainda não se descobriu uma forma de convencer os eleitores a preferirem candidatos locais. Não no sistema eleitoral vigente. Assim como não se pode negar que candidatos em excesso dos mesmos campos e partidos dilui a votação, favorecendo poucos.
A sociedade parece não se dar conta da importância de ter uma representação mais forte, ampliada em Brasília, para que nem ela se frustre quando as expectativas falharem e nem os governos municipais tenham que ficar com a cuia na mão. Porque não se trata apenas de emendas, mas da articulação para obtenção de convênios, investimentos federais diretos e recursos extraorçamentários.
Pode-se afirmar que a cidade elegeu em 2022 um deputado federal e dois estaduais, considerando que apenas Waldenor, Zé Raimundo e Fabrício Falcão tem o município como suas principais bases eleitorais. Na eleição de 2022, Waldenor teve em Vitória da Conquista 28,35% de seus 113.110 votos espalhados pelo estado; Zé Raimundo teve 36,5% dos 87.695 totais; e Fabrício 19,54% dos 57.903 que lhe deram o quarto mandato seguido.
Apesar da simpatia com o município, da relação familiar – e até de nascimento -, os demais parlamentares que esporadicamente defendem Vitória da Conquista não são da política conquistense e não exercem profissão ou mantêm relação social com a cidade. Vitória da Conquista elege o mesmo deputado federal e os mesmos dois estaduais há quatro eleições. E isso não se deu por falta de opções locais, gente que é vista aqui o ano todo, pode ser abordada na rua ou encontrada no mesmo endereço.
Em 2022, foram 28 candidatos de Vitória da Conquista, dez para a Câmara dos Deputados e 18 para a Assembleia Legislativa, em um espectro que ia do centro à direita e à esquerda. Juntos, os candidatos a estadual tiveram 100.795 votos, 53,68% de todos os votos válidos. Para federal, foram 77.010 votos, 41,20% do total. E só um eleito. Mais da metade dos votos foram para candidatos de fora.
E em 2026 história poderá se repetir. Como drama.
Enquanto a relação de pré-candidatos a Assembleia Legislativa aumenta a cada dia, são poucos os nomes que se apresentam para a Câmara dos Deputados. Para deputado estadual é certo que Zé Raimundo e Fabrício Falcão buscarão a reeleição, e o PT tem mais dois que já manifestaram sua intenção de se juntar a eles: a vereadora Viviane Sampaio e o vereador Alexandre Xandó.


Do campo oposto, já anunciaram pré-candidaturas o ex-vereador e ex-candidato a vice-prefeito Delegado Marcus Vinícius, pelo Podemos; a vereadora Lara Fernandes, mulher do vice-prefeito Dr. Alan, pelo Republicanos; e o advogado Wagner Alves, do União, marido da prefeita Sheila Lemos. Apenas sete nomes, a mesma quantidade de 2014. Na eleição anterior tinham sido nove, na seguinte foram oito e na última 18.
Já para deputado federal, foco deste artigo, Waldenor vai tentar o quinto mandato, e Capitão Vasconcelos busca uma vaga, ele que foi candidato a estadual em 2022. E não se conhecem outras opções, agora. Fala-se que Coronel Ivanildo da Silva, secretário da Casa Civil municipal poderia entrar nessa disputa, assim como a ex-vereadora e ex-candidata a prefeita Lúcia Rocha.

Ao BLOG, Ivanildo disse que a decidirá até o final de setembro e Lúcia não deu declarações públicas sobre o assunto. Entrando Ivanildo e Lúcia, Vitória da Conquista teria apenas mais candidatos a deputado federal do que em 2010, quando foram cinco. Em 2014, foram sete e, na sequência, nove (2018) e seis (2022). Jorge Solla não foi incluído nessas contas.
O município precisa de mais dinheiro federal e isso passa por mais deputados em Brasília. No mínimo mais um federal. O momento urge, do ponto de vista econômico e para que Vitória da Conquista possa recuperar a força política que um dia já teve além dos limites. Não basta ter charme.






