Carlos Muniz, presidente da Câmara de Salvador: PSDB pode apoiar Jerônimo ou ACM Neto. Cenário coloca vereadores sheilistas em impasse

Carlos Muniz, presidente da Câmara de Salvador: PSDB pode apoiar Jerônimo ou ACM Neto. Cenário coloca vereadores sheilistas em impasse

O site BNews, um dos mais acessados do estado e com mais de 1,2 milhão de seguidores no Instagram, reproduziu ontem (17) parte de uma entrevista que o presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, Carlos Muniz, deu à Rádio Salvador FM, em que o parlamentar do PSDB afirma que o partido ainda não decidiu se vai apoiar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ou vai continuar com ACM Neto.

“Nós ainda não tivemos conversa sobre ‘quem vai ficar com o PSDB’. Nós estamos mais preocupados em fazer com que o partido venha a ter um número maior de deputados estaduais e federais”, disse Muniz, segundo o site. O vereador soteropolitano destacou que os tucanos contam com três deputados estaduais, Paulo Câmara, Thiago Correia e Jordávio Ramos, e apenas um deputado federal, Adolfo Viana, e que o objetivo é ampliar esse quadro, por isso a definição de apoio para candidato a governador dependerá das condições para alcançar a meta.

Como já se sabe, Carlos Muniz não deve concorrer em 2026, mas lançou o filho, de 24 anos, na disputa por vaga de candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados. E para chegar lá, pai e filho vêm costurando apoios nos principais colégios eleitorais da Bahia, a exemplo de Vitória da Conquista, onde seis vereadores já firmaram compromisso com a pré-candidatura de Carlos Muniz Filho.

Dos seis vereadores conquistenses que acertaram com Muniz, três são do mesmo partido do presidente da Câmara de Salvador, dois são do União, partido da prefeita e que tem em ACM Neto sua principal liderança na Bahia, e outro é do PL. Todos, em tese, da base da prefeita Sheila Lemos, comprometida com a eleição de Neto desde sempre.

A gestora aposta na candidatura do marido, o advogado Wagner Alves, que no grupo de apoiadores de Muniz Filho conta somente de Edjaime Bibia (União). Luís Carlos Dudé, também União Brasil, e Paulinho Oliveira (PSDB) estão com Fabrício Falcão (PCdoB); Ivan Cordeiro (PL) e Nelson de Vivi (PSDB) com Vitor Azevedo; e Edivaldo Ferreira Júnior (PSDB), segue com Tiago Correia, que é do mesmo partido.

Consta que Sheila absorveu com facilidade o apoio dos cinco vereadores, que estiveram na sua coligação em 2024, a outro nome que não o de Wagner. Contudo, a possibilidade de o PSDB fechar com Jerônimo criaria um embaraço de grande medida para eles e para ela.

A verdade, letra por letra, é que dos seis vereadores que que fecharam com Carlos Muniz Filho, três já ficariam em uma situação confusa em relação à eleição de governador: Dudé e Paulinho, ao apoiar Fabrício, que é PCdoB, da federação com o PT e um dos cabos eleitorais mais fortes de Jerônimo, e Ivan, que é parceiro de Vítor Azevedo, que só aguarda a janela partidária para mudar do PL a um partido governista, atualmente ele já vota com o governador e avaliza os movimentos políticos do grupo. E se os tucanos baianos seguirem na mesma direção, só vai sobrar Bibia, entre os identificados como sheilistas, para apoiar ACM Neto.

Esse cenário, que pode parecer simples, projeta dilemas para a campanha de 2026. A essa altura, todo mundo agradece pelo palanque físico ter ficado no passado, porque seria uma confusão. Por exemplo: admitindo a hipótese de o PSDB fechado com Jerônimo, vindo o candidato a governador do PT em Vitória da Conquista durante a campanha, devidamente acompanhado dos candidatos a deputado apoiados por ele, onde estarão os vereadores do União, se o vice-presidente nacional da sigla, líder do partido no estado, ACM Neto também estiver em campanha na cidade?

FOTO DESTAQUE: CARLOS MUNIZ COM ACM NETO E COM JERÔNIMO RODRIGUES

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