Salvador teve vice-governadores em sete gestões e o interior teve 11, sendo cinco do Sudoeste. Sheila Lemos pode ampliar histórico


Até 1958, não havia a figura do vice-governador. Na eleição daquele ano, Orlando Moscoso, nascido em Salvador, foi o primeiro eleito para o cargo. Naquele tempo, os vices eram votados em separado. O governador eleito, Juracy Magalhães, da UDN, tinha como companheiro de chapa o deputado federal Rômulo Almeida. Orlando Moscoso era do Partido Republicano (PR).
Em 1962, mais uma vez Orlando Moscoso venceu o candidato a vice de Lomanto Júnior, governador eleito. Concorrendo pelo Partido Social Democrata (PSD), ele ficou à frente do deputado estadual jacobinense Francisco Rocha Pires, o primeiro candidato com origem no interior do estado a disputar o cargo. Moscoso foi vice-governador de 7 de abril de 1959 a 15 de março de 1967.
O segundo vice-governador eleito pós-1958 na Bahia foi Jutahy Magalhães. Como o governador, Luís Viana Filho, foi escolhido de forma indireta pela Assembleia Legislativa, por indicação do governo militar. Ficou no cargo entre 15 de março de 1967 e 15 de março de 1971. Jutahy Magalhães nasceu no Rio de Janeiro, mas viveu em Salvador.
Em 1970, o deputado estadual Menandro Minahim, assim como o antecessor, foi eleito indiretamente pelos deputados, juntamente com Antônio Carlos Magalhães (ACM), em seu primeiro mandato de governador. Menandro era de Salvador e ficou no cargo de 15 de março de 1971 a 15 de março de 1975.
O primeiro vice-governador eleito com origem no interior foi Edvaldo Brandão Correia. Nascido em Cachoeira, tendo sido vereador em São Gonçalo dos Campos, Edvaldo Brandão compôs a chapa de Roberto Santos eleita pela Assembleia Legislativa, como aconteceu em 1966 e 1970. O mandato foi de 15 de março de 1975 a 15 de março de 1979.
Em 1978, aconteceu a última eleição indireta para governador e vice-governador e os deputados escolheram, mais uma vez, Antônio Carlos Magalhães, que teve como vice Luís Viana Neto, que era deputado federal. Os dois ficaram de 15 de março de 1979 a 15 de março de 1983. Luís Viana Neto nasceu em Salvador.
Na primeira eleição direta para gestores dos estados, o interior voltou a emplacar um vice-governador. Em 1982, Edvaldo de Oliveira Flores foi eleito com João Durval Carneiro, a primeira chapa vitoriosa toda do interior. Edvaldo Flores era deputado federal e havia sido prefeito de Vitória da Conquista (1955-1959). O mandato dele como vice foi de 15 de março de 1983 a 15 de março de 1987.
Uma curiosidade daquela eleição foi a presença de José Gomes Novaes, candidato a vice-governador pelo PT. Apesar de ter nascido no município de Água Branca, em Alagoas, José Novaes vivia em Vitória da Conquista desde 1971, onde militava junto a trabalhadores rurais, com o codinome de Jorge. Outro fato histórico foi o acidente fatal de helicóptero que vitimou o candidato a governador escolhido por ACM, Clériston Andrade, e o deputado federal Rogério Rego, que seria vice na chapa. João Durval e Edvaldo Flores os substituíram.
Em 1986, em uma ação articulada pelo então prefeito de Vitória da Conquista, José Pedral Sampaio, a região Sudoeste faria o seu segundo vice-governador, com o guanambiense Nilo Augusto de Moraes Coelho na chapa de Waldir Pires. Ele ficou no cargo entre 15 de março de 1987 e 14 de maio de 1989, e assumiria o governo com a renúncia do titular, de 14 de maio de 1989 a 15 de março de 1991. Nilo Coelho também foi prefeito de Guanambi por três mandatos.
Na sequência, o eleito vice-governador foi Paulo Ganem Souto, também do interior e da região Sudoeste. Nascido em Caetité, Paulo Souto foi vice na primeira eleição direta de ACM para governador. Os dois ficaram nos cargos de 15 de março de 1991 a 2 de abril de 1994.
O soteropolitano Rosalvo Barbosa Romeo surgiu para quebrar a sequência de vices da região Sudoeste. Ele foi eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa para um mandato tampão, com Antônio Imbassahy governador. Entre 2 de maio de 1994 e 1º de janeiro de 1995, os dois substituíram, respectivamente, o vice Paulo Souto, que renunciou para disputar o governo do estado, e ACM, que seria candidato ao Senado.
O vice-governador eleito em 1990 nasceu em Salvador, mas pode ser considerado, sem qualquer ofensa biográfica, como sendo de Jequié. César Augusto Rabello Borges viveu a infância e a adolescência com a família na Cidade Sol, onde estudou até 1961. O pai dele, o empresário Waldomiro Borges, nascido na zona rural do município, foi prefeito entre 1967 e 1971 e se elegeu deputado estadual por dois mandatos (1975-1979 e 1979-1983), representando Jequié e a região Sudoeste. O mandato de César Borges, com Paulo Souto governador foi de 1.º de janeiro de 1995 a 4 de abril de 1998, quando o vice assumiu com a desincompatibilização de Souto para disputar o Senado.
O interior se faria presente, mais uma vez, com Otto Alencar, eleito vice-governador em 1998 na chapa de César Borges. Otto é de Ruy Barbosa. Seu primeiro mandato como vice foi de 1.º de janeiro de 1999 a 5 de abril de 2002, quando assumiu a titularidade com a renúncia de César Borges para disputar a eleição ao Senado.
Na eleição de 2002 seria eleito o sétimo nome do interior como vice-governador, Eraldo Tinoco Melo, nascido em Ipiaú. Ele era deputado federal quando foi escolhido pelo grupo de ACM para ser companheiro de chapa de Paulo Souto. Ficou no cargo entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de janeiro de 2007.
Com o ex-prefeito de Brumado, Edmundo Santos Pereira, o Sudoeste voltaria a fazer um vice-governador, em 2006. Edmundo formou chapa com Jaques Wagner, na primeira vitória do PT na Bahia e ficou na função por todo o período do mandato, iniciado em 1º de janeiro de 2007 e concluído na mesma data do ano de 2011.
Depois de Edmundo, Otto voltou, mas agora pelo grupo anticarlista. Foi o segundo vice de Wagner, eleito em 2010. Com Otto, o número de mandatos de vice-governador ocupados por lideranças com origem no interior do estado chegou a nove, sendo oito políticos diferentes.
Se for considerado que o recifense João Leão, vice-governador nos dois mandatos de Rui Costa (2015-2023) não nasceu na Bahia, mas fez carreira política a partir de Lauro de Freitas, tendo sido eleito deputado federal cinco vezes seguidas após seu mandato de prefeito do município (1989-1983), pode-se tranquilamente colocar o nome dele na lista dos vice-governadores com origem política no interior, elevando o número a dez.
O atual vice-governador, Geraldo Júnior, é da capital. É dada como certa a sua presença na chapa de Jerônimo Rodrigues em busca da reeleição. Se isso acontecer, será o oitavo mandato de vice-governador da capital, com seis políticos. O interior se manteria com 11 mandatos, exercidos por nove nomes.
A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, cotada para ser a vice de ACM Neto, principal opositor de Jerônimo em uma eleição que se vislumbra muito disputada, tem a oportunidade de proporcionar ao interior a retomada da hegemonia na eleição de vices, recolocando a região Sudoeste outra vez no protagonismo político estadual, e, ainda mais destacável, ser a primeira mulher eleita vice-governadora no estado.



