Quem será o vice do vice? Possibilidade de Sheila sair da prefeitura para compor a chapa de ACM Neto pode criar um rebuliço na Câmara de Vereadores


Luciano Gomes (PCdoB), Luís Carlos Dudé (União) e Fernando Jacaré (PT), que já foram presidentes da Câmara de Vereadores, vão jurar de pés juntos que seguirão fiéis ao acordo (se é que houve acordo) de reeleger Ivan Cordeiro para conduzir a Casa em 2027 e 2028, não a si mesmos.
E Edivaldo Ferreira Júnior (PSDB), que queria estar no lugar de Ivan já agora, mas foi atropelado na última eleição da Mesa Diretora pela força do governo municipal, leia-se Sheila Lemos (União) – que trabalhou pró Ivan, para cumprir um acordo (este, sim, existiu) com João Roma, presidente estadual do PL -, ele também quer deixar como está?
Na verdade, como está nada ficará se Sheila for mesmo a candidata a vice-governadora na chapa de ACM Neto. Para isso, ela terá que se afastar da Prefeitura, deixando o cargo para o vice-prefeito. Se assim ocorrer, pela sexta vez na história de Vitória da Conquista, desde o surgimento do cargo, a gestão municipal não terá vice-prefeito.
Aconteceu entre abril e dezembro de 1982, quando Gildásio Cairo assumiu após a saída de Raul Ferraz para disputar a eleição de deputado federal. Repetiu-se por 17 meses, com a ida de José Pedral Sampaio para a Secretaria de Transportes e Comunicações do governo Waldir Pires. Pedral passou o cargo no dia 12 de março de 1987 e retornou, aproveitando uma brecha na lei, em 15 de agosto de 1988, para concluir o mandato.
Em 1993, a vice-prefeita eleita, Margarida Oliveira, nem tomou posse, optando por continuar o mandato de deputada estadual. A Prefeitura de Vitória da Conquista ficou sem vice e Pedral levou o governo sozinho por quatro anos.
No ciclo de governo petista, Guilherme Menezes se afastou em abril de 2002 para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados, quando Zé Raimundo assumiu e, como prefeito, completou o mandato em 31 de dezembro de 2004, tendo sido, então, eleito para o cargo.
Já Sheila Lemos assumiu o cargo de prefeita pela primeira vez com o falecimento do titular, Herzem Gusmão, no dia 22 de março de 2021. Governou sem vice por três anos, nove meses e dez dias.
Para ser a candidata a vice-governadora da oposição, na chapa de ACM Neto, como está sendo cotada, Sheila terá que sair do cargo de prefeita até o dia 4 de abril, seis meses antes das eleições de outubro. Com sua saída, assume o vice Dr. Alan Fernandes, para uma gestão de dois anos e nove meses.
Em situações assim, nos casos de impedimento temporário do prefeito, como viagens ao exterior e licenças, o presidente da Câmara de Vereadores assume interinamente a condução da administração municipal. O presidente da Câmara não se torna vice-prefeito, não altera seu mandato político, apenas passa à condição de substituto eventual, mas é tratado como se fosse o vice, isso empresta charme, ganho ao currículo e impulso político, se vier a assumir.
Recentemente, na primeira gestão de Sheila, o vereador Luís Carlos Dudé (União) – presidente da Câmara no biênio 2021-2022 – esteve como prefeito interino por 12 dias, entre 4 e 15 de julho de 2022. No dois anos seguintes, o presidente era Hermínio Oliveira (PP), que não teve o mesmo momento histórico.
Pode querer ter agora. Ele é sempre lembrado como habilidoso nas questões internas da Câmara, tendo sido eleito duas vezes presidente da Casa Legislativa Municipal, vice-presidente três e 2º secretário duas.
A ideia de ser prefeito por alguns dias, podendo sê-lo mais de uma vez, é um atrativo e tanto às vésperas da eleição da presidência da Câmara de Vereadores, prevista para o último trimestre deste ano (em qualquer data entre outubro e a última sessão ordinária, em dezembro).
E ainda podemos falar das mulheres, agora em maior número, mais organizadas, inclusive com o apoio politico e institucional do atual presidente. Elas não veem uma grande oportunidade de fazer história (lembrando que é vereadora a mulher de Dr. Alan)? As duas únicas mulheres a presidirem o Legislativo conquistense foram Ilza Matos, nos anos 1970, e Lúcia Rocha no início dos anos 2000.
O atual presidente, Ivan Cordeiro, é candidato à reeleição. O novo texto da Lei Orgânica Municipal, reformada em 2025, passou a autorizar a reeleição da Mesa na mesma legislatura, isto é, no final do segundo ano, antes só poderia se fosse de uma legislatura (os quatro anos de mandato) para outra. Ivan está tranquilo. Resta saber o que já se passa nas almas dos seus colegas parlamentares.

