Exclusivo | Macrodrenagem em Vitória da Conquista: menos palanque, mais engenharia. Novo artigo de Gilberto Ferreira Luna


Gilberto Ferreira Luna é engenheiro, ex-empresário e, atualmente, um dedicado analista de política internacional e nacional. Aposentado de uma carreira que exigiu precisão e visão de futuro, ele agora se aprofunda na leitura e interpretação dos eventos globais, utilizando sua vasta experiência profissional para oferecer insights claros e objetivos sobre o mundo em que vivemos.

Vitória da Conquista sangra a cada temporal. As imagens de avenidas transformadas em rios não são apenas “fatalidades climáticas”, mas cicatrizes expostas de uma infraestrutura que sucumbiu ao crescimento urbano sem o devido rigor técnico. No epicentro dessa crise, assistimos a um fenômeno de inversão de papéis: a Câmara de Vereadores tenta protagonizar um debate que, por competência legal, é missão exclusiva do Poder Executivo.
Embora o debate parlamentar seja legítimo, ele é limitado. Sem a “caneta” da prefeitura e um corpo de engenharia focado, discussões legislativas correm o risco de se tornarem palanques estéreis. A solução para a macro-drenagem de Conquista não nascerá de discursos, mas de um Projeto de Estado, executado por quem detém a máquina pública.
O CAMINHO: MENOS IDEOLOGIA, MAIS, CÁLCULO
Para romper este ciclo, o Executivo deve institucionalizar uma Comissão Técnica de Macrodrenagem. Não se trata de mais um cargo político, mas de um núcleo com autonomia para:
1. Contratar estudos hidrológicos atualizados: O regime de chuvas mudou; projetos de décadas atrás são obsoletos;
2. Elaborar projetos executivos sólidos: Sem projeto de engenharia detalhado, não há obra;
3. Captar recursos estruturantes: A viabilidade financeira depende de convênios técnicos com o Governo Federal e organismos internacionais;
ONDE A ENGENHARIA VENCEU O AMADORISMO
Não precisamos reinventar a roda. Cidades com topografia desafiadora já mostraram o caminho através do Planejamento de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais:
• Cachoeiro de Itapemirim (ES): A cidade atacou o problema com um Plano Municipal de Drenagem rigoroso. Ao contrário de soluções paliativas, focaram em obras estruturantes na “Linha Vermelha”, canalizando córregos críticos e criando redes coletoras de grande porte baseadas em dados reais.
• Curitiba (PR): Pioneira no uso de Parques Lineares. Em vez de apenas enterrar tubos caros, a cidade utiliza áreas verdes como bacias de retenção naturais. Quando chove, o parque “inunda” de forma controlada, protegendo o centro urbano e as habitações.
• Belo Horizonte (MG): Através do Programa Drenurbs, a capital mineira implementou as chamadas Bacias de Detenção (os “piscinões”) e, mais recentemente, os Jardins de Chuva. Essas soluções sustentáveis reduzem a velocidade da água antes que ela chegue às grandes avenidas, tratando a drenagem como parte do urbanismo e não como um “problema escondido” sob o asfalto.
CONCLUSÃO
É imperativo que a Prefeitura de Vitória da Conquista assuma as rédeas. Infraestrutura de grande porte exige engenharia, investimento e continuidade de gestão. A cidade não precisa de uma bandeira de campanha para a próxima eleição; precisa de segurança para o cidadão que perde tudo em 30 minutos de chuva. É hora de baixar o som do palanque e ouvir o que os cálculos e a técnica têm a dizer.
TEXTO REVISADO PELO AUTOR
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