Do sonho de “Dubai” à perspectiva do fim. Ederlane Amorim diz que este pode ser o último ano do ECCP profissional: “O fardo é pesadíssimo”

Do sonho de “Dubai” à perspectiva do fim. Ederlane Amorim diz que este pode ser o último ano do ECCP profissional: “O fardo é pesadíssimo”

Há pouco mais de dez anos, no dia 25 de janeiro de 2016, entrevistei Ederlane Amorim, na Pietri Pizzaria. Não teve pizza e cada um pagou a água que bebeu. A conversa rendeu três matérias, verdadeiro Raio-x do Bode Alviverde e da alma do dirigente.

No ano anterior, o Esporte Clube Primeiro Passo, conhecido como ECPP Vitória da Conquista, reforçado com jogadores experientes como Viáfara, colombiano, ex-Vitória, e Paulo Almeida, ex-Santos, Corinthians e Benfica (Portugal) chegou à final do Campeonato Baiano, contra o Bahia, tendo vencido o primeiro jogo, em casa, por 3 a 0 e perdido o segundo na Fonte Nova por 6 a 0.

O vice-campeonato, que colocou o clube conquistense na prateleira de cima da história do futebol baiano, e o jogo com o Palmeiras pela Copa do Brasil no mesmo ano – considerado muito importante para o clube, apesar da derrota por 4 a 1, que impediu ao Bode fazer o segundo jogo, pelas regras da época -, possibilitaram a Ederlane comemorar e apostar que em 2016 o ECPP Vitória da Conquista se daria bem no Baianão e faria bom papel na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil, em que enfrentaria o Náutico.

Para o dirigente, que montou o ECPP Vitória da Conquista com seus próprios investimentos, o foco seria o Baianão naquele ano e ser rebaixado para a Série B do Campeonato era hipótese remota.

“Remotíssima. Mas, é aquilo que eu falo da questão estrutural: o cansaço de viagens, de logística, o time jogar duas competições simultâneas sem estar preparado, sem ter condições estruturais. Por isso eu digo que se eu tiver que focar em uma ou outra competição, por mais que a Copa do Nordeste me dê um recurso maior, eu tenho que me preocupar com o Campeonato Baiano”.

Não foi um bom campeonato em 2016, o ECPP ficou em nono lugar, com apenas uma vitória, e teve que disputar a repescagem contra o Colo-Colo, para definir quem ficava na primeira divisão. Conseguiu, mas ficou o mau sinal.

Na foto acima, o time comemora gol em vitória de 2019 sobre o Jequié por 1 a 0. Naquele campeonato, o ECPP ficou em 4º lugar, e depois, em 2020 e 2021, repetiu a 7ª colocação.

E então, chegou o ano de 2022. Sem Copa do Nordeste e sem Copa do Brasil, o ECPP caiu para a segunda divisão, 16 anos desde que faturou o campeonato da Série B, sendo alçado à Série A com méritos.

Agora, em 2026, o clube conquistense faz a sua quarta tentativa de retornar ao grupo principal. Na primeira participação na Série B, em 2023, foi o terceiro, tendo perdido a vaga na final e a chance de retorno para o Jacobina, no saldo de gols. No ano seguinte, ficou em sexto lugar, mesma colocação alcançada em 2025.

Na primeira partida deste ano, jogando na Arena Cajueiro, em Feira de Santana, no sábado (2), perdeu por 3 a 0 para o Feira Futebol Clube, fundado este ano e que estreia na competição. O próximo compromisso será no Estádio Municipal Lomanto Júnior (Lomantão), em casa, jogo somente definido depois de tensão com a Prefeitura, que autorizou um show que estragou o campo e demorou para fazer os reparos. O adversário será o Leônico, no sábado, às 15h00.

Para 2026, Ederlane Amorim fez uma parceria com o ex-jogador profissional Pena, ex-Botafogo, Palmeiras e Porto (POR), para contar com seu apoio e usar o Centro de Formação Moriá, mantido pelo atleta, agregando à denominação do clube o nome do CF. Além disso, o clube anunciou alguma parcerias com empresas, mesmo assim, para Ederlane a situação crítica se mantém e pode piorar, o que seria o veredicto de fim do ECPP Vitória da Conquista profissional.

“A gente entra na competição deste ano como franco atirador. O mais prudente era nem estar disputando a competição. Para o jogo de estreia, em Feira de Santana, viajaram apenas 16 atletas, sendo apenas 11 profissionais e cinco do sub-20. O verdadeiro torcedor deve estar muito triste nessa situação, mas ninguém está mais chateado do que eu, que sou fundador do clube, estou nessa gangorra há 21 anos. Mas eu não perco a esperança e espero que o torcedor também não, é tudo no tempo de Deus. Estamos fazendo a nossa parte e vamos tentar enquanto tivermos força. Tivemos vários anos de grandes conquistas, de muita alegrias, agora é o momento de se reinventar, mudar os conceitos e ver se tudo isso vale a pena para continuar ou não”.

Contudo, apesar da fé e do breve tom esperançoso, Ederlane Amorim crava: pode ser o último ano do ECPP Vitória da Conquista.

“O fardo é pesadíssimo, a continuar assim é nosso último ano como profissional. O que eu tenho dito é que se no ano que vem se houver 5% desses problemas que eu estou tendo, eu não participo, você imagine se tiver mais. Está sendo no braço. Você juntar 11 jogadores, alguns até sem salário, só jogando só para participar. Chegou ao ponto em que a gente cada dia tem menos recursos e outros times cada dia mais recursos, então a conta não vai bater nunca. Este ano, a Prefeitura que não ajuda com um centavo, mesmo tendo um vice-prefeito lá dentro, com um secretário de Esportes que já foi presidente de clube, que sabe das dificuldades. Ou seja, está impossível continuar, impossível, impossível. No ano que vem, só se Deus prover, porque se Ele quiser vai acontecer, mas pela questão do homem aqui na Terra eu acho muito difícil que continue com esse fardo no ano que vem”.

Uma perspectiva lamentável para um clube que foi membro do grupo top 4 do futebol baiano, com o olhar em uma participação nacional destacada. Sonho traduzido, metaforicamente, por Ederlane na entrevista de uma década atrás: “E onde a gente vai chegar? Não sei se vai ser este ano, mas antes era Tóquio, onde a final do Campeonato Mundial de Clubes acontecia, agora é Dubai. O nosso objetivo é chegar o mais distante possível, ainda que possa parecer loucura, utopia, mas estamos com esse foco e esse objetivo”.

Ederlane e Giorlando Lima, em 2016

FOTO DESTAQUE: TORCIDA DO BODE EM DIA DE FESTA NO LOMANTÃO

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