Bota-fogos, louvaminheiros e suas tentativas de desestabilizar ou agradar gregos, troianos e conquistenses natos, todos do mesmo balaio de gatos

Está sendo uma pré-campanha eleitoral como nunca se viu, mesmo que pouca gente ainda a veja como de fato ela se está se dando. Para entender é preciso olhar para todos os lados, nas redes sociais e nos blogs. De uma parte os que botam fogo no parquinho, os bota-fogos, como aqueles que acendiam o pavio do canhão. Do outro lado, os louvaminheiros, frequentemente a se antecipar aos que pretendem defender, na rapidez de contra-atacar, muitas vezes a soldo. Como também os bota-fogos.
A disputa política local, que se pensava haver perdido a sua característica provinciana, por ter disponíveis os mesmos meios modernos e digitais para a informação e o debate, parece retroceder ao tempo do panfletarismo bem paroquial.
E em meio à necessidade de ofertar ao eleitor discursos depreciativos dos adversários ou justificar a tibieza dos defendidos, os autores se atrapalham, misturam tudo, colocando os gatos no mesmo balaio e, aí, como se diz, ao escurecer, todos os bichanos se tornam pardos.
Os que acendem a mecha do canhão, na tentativa de dar brilho a eventual vertente positiva de seu lado político, ainda que à custa de verborragias e fantasias, ressaltam, via de regra com calculado exagero, os piores defeitos do adversário, à base da interpretação maliciosa de nichos revoltados.
Os segundos, inspirados na escola dos louvaminheiros, os beleguins de pena fácil (ou auxiliada pela IA) gastam o vocabulário e as citações, ávidos por mostrar serviço, às vezes sem perceber que misturam os bajulados, na ânsia de enaltecer figuras que lhes podem retribuir com alguma vantagem por sua complacência adulatória ou pelas flechas disparadas na direção dos contrários, mesmo que não lhes sejam ameaças diretas, mas já estejam onde seus preferidos querem chegar.
No fundo, se igualam, o mecha do canhão e o sabujo a soldo: retroalimentam a guerra. Nisso reproduzem (ou criam) juízos apressados sobre adversários ou enfeitam seus preferidos com adereços que nunca tiveram ou passaram a ter ao abrir da boca da eleição.
É importante prestar atenção. Ainda é o começo, pode ficar pior quando bater o desespero ou subir à cabeça a antecipada certeza da vitória. Os dois sentimentos costumam fazer mal, um porque pode levar à mudança do canhão de um tiro só por metralhadora giratória; o outro porque excesso de autoconfiança pode levar à soberba e a soberba ajuda a nascer o desrespeito. E, diz a Bíblia, precede a queda (Provérbios 16:18: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”).
O tempo colocará guizos nos gatos e dará nomes aos bois.
FOTO DESTAQUE: IMAGEM CRIADA PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DO CHATGPT


