Emurc é alvo de críticas na Câmara de Vereadores por demora na obra da Avenida Brumado; Prefeitura diz que dificuldades são causadas pelas chuvas


Contratada pela Prefeitura de Vitória da Conquista para realizar a reurbanização de um trecho de dois quilômtros da Avenida Brumado, a Empresa Municipal de Urbanização de Conquista (Emurc) foi criticada na sessão desta quarta-feira (6) da Câmara de Vereadores, por causa do atraso de mais de um ano da obra – inicialmente orçada em R$ 13.394.220,39-, que deveria ter sido concluída no início de abril do ano passado.
O mais enfático na cobrança foi Ivan Cordeiro (PL), presidente da Mesa Diretora. Para o vereador, o ritmo lento da obras tem gerado impactos negativos para a cidade e mais do que os transtornos causados no trânsito e na mobilidade das pessoas, a demora pode ter como consequência situação mais grave. “A gente vem aqui cobrar, mais uma vez, a conclusão dessa obra para que possamos evitar mais uma tragédia em Vitória da Conquista”, afirmou o presidente.
Ele reforçou que a responsabilidade pela execução da obra é da Emurc e cobrou mais agilidade da empresa municipal, principalmente diante da proximidade de períodos chuvosos, que podem agravar os problemas estruturais da via: “A obra deveria ter sido concluída no ano passado e, até agora, a população continua convivendo com transtornos e insegurança”.
A vereadora Cris Rocha (MDB) deu sequência às queixas apresentadas por Ivan Cordeiro. “Estive no local recentemente e constatei que o andamento é lento, causando transtornos. As últimas chuvas evidenciaram o risco de transbordamento do canal, o que aumenta a preocupação com a segurança”, alertou.
A representante do MDB ressaltou que a obra e estratégica para a mobilidade urbana e especialmente importante para a Zona Oeste. “A conclusão dos serviços é essencial para garantir segurança e melhor fluxo de veículos, inclusive nas vias de acesso ao bairro Vila Serrana”, afirmou.
Já Paulinho Oliveira (PSDB) direcionou críticas à atuação da Emurc não apenas em relação à Avenida Brumado, ao abordar a manutenção das demais vias da cidade. O vereador relembrou solicitações feitas e não atendidas e cobrou maior efetividade nos serviços. “Em março, apresentei pessoalmente uma solicitação para reparos nas ruas Iracema, Sumaré e Guarani. Na ocasião, apenas cinco buracos foram corrigidos na Rua Olavo Ramos, no bairro Guarani”, citou ele.
Sobre a Avenida Brumado, Paulinho observou que a lentidão das obras atrapalham a mobilidade e causam prejuízos econômicos à região e cobrou manifestação da direção da empresa municipal. “Solicito um posicionamento do diretor da Emurc, que possa oferecer uma resposta imediata à população”.


VERSÃO DA PREFEITURA E DA EMURC
Segundo matéria publicada no site da Prefeitura, o grande entrave para a conclusão da obra tem sido a macrodrenagem, “considerada uma das mais complexas do projeto de requalificação da via”, e que sofre “impactos diretos provocados pelo grande volume de chuvas registrado nos últimos meses em Vitória da Conquista”.
De acordo com o texto, a celeridade solicitada pelos vereadores e pela população depende “de estabilidade climática, algo desafiador, já que as chuvas não têm dado trégua”. A Prefeitura menciona a construção das caixas de drenagem, que teria teria sido interrompida mais uma vez após as chuvas comprometerem serviço já executado.
Em nome da Emurc, o diretor-presidente Gerson Leite disse esperar compreensão por parte da população: “A gente pede a compreensão da comunidade e garante que mesmo com as dificuldades impostas pelo clima, a obra segue, porque além de ser necessária para a população, é um compromisso do governo municipal”.
A OLÍVIA DA ZONA OESTE
O projeto da reurbanização da Avenida Brumado daria à importante via um aspecto semelhante à Avenida Olívia Flores, transformada entre a gestão de Herzem Gusmão e a primeira gestão de Sheila Lemos em um dos principais cartões postais da cidade. A ideia de dar à Brumado a cara de uma “Olívia da Zona Oeste” foi propagada logo no início dos serviços.
No trecho de dois quilômetros que está sendo requalificado, a Prefeitura implanta novos paisagismo, iluminação e sinalização, além de pista de caminhada, ciclovia e recapeamento asfáltico. O canal aberto em parte do percurso deve ser coberto por um gradil semelhante ao instalado no trecho do meio da Olívia Flores.
O recurso inicial de R$ 13.394.220,39 faz parte do empréstimo de de R$ 160 milhões que a Prefeitura tomou na Caixa em 2023, dentro programa de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa).


