Retrospectiva do esquecimento: o que vai ficando para trás e Vitória da Conquista não cobra como deve
Do alto da Serra do Periperi, como se olhasse, dia e noite, para o acordar e o dormir da cidade, a estátua do Cristo, se pudesse pensar, estaria tentando compreender porque a população de Vitória da Conquista tem preocupações sazonais, deixando para trás demandas e aspirações de um dia, para substituí-las por outras reivindicações, nem sempre mais importantes, úteis ou coletivas.
Veja-se o caso dela própria, a maior estátua de Cristo Crucificado do mundo, dizem, erguida no ponto mais alto de Conquista, há 44 anos, esperando uma restauração, para que, além do seu semblante sofrido, o desprezo com que é tratada não se torne uma marca que a represente.
Descascado, sujo, manchado, e quem sabe correndo algum tipo de risco estrutural, o Cristo do Periperi é como o habitante de uma casa que acaba de receber reforma para ficar mais bonita e receber visitas, sem que seu principal hóspede receba cuidados – que até podem pensar que ele não merece, mas carece.
O sonho do Cristo renovado está em uma longa lista das demandas esquecidas de Vitória da Conquista. Nem o Arcebispo conseguiu. Dom Josafá foi transferido para Aracaju, Sergipe, antes que um demão de tinta tivesse sido dada ao menos nas unhas da estátua, criada com tanto esmero por Mário Cravo Filho, trazida com tanto sacrifício por Raul Ferraz, para dar seguimento a um sonho de José Pedral e de Conquista.
A lista segue com a Casa Glauber; o Cine Madrigal; o teatro que Rui Costa prometeu; os viadutos do anel rodoviário; o parque da cidade; a universidade federal do Sudoeste; o gasoduto; o viaduto do aeroporto; a retomada do terreno antigo aeroporto; o SAC na Zona Oeste; a barragem do Catolé e outras que o tempo, a corrosão e o mato destruíram, como o Memorial Glauber Rocha, do tempo do ex-prefeito Murilo Mármore.
Não é só duplicação da Rio-Bahia.





