Memória do caos | A polêmica de julho de 2018: o transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista avançava na direção do desastre

Memória do caos | A polêmica de julho de 2018: o transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista avançava na direção do desastre

Era madrugada de uma terça-feira de um julho tão frio quanto este que vivemos, quando uma equipe da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) adentrou a a garagem da Viação Vitória, que dividia a exploração do transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista com a Cidade Verde, e com a justificativa de fazer uma operação especial de fiscalização, lacrou 74 ônibus da empresa, 95% da frota, tirando-os de circulação. Para a Prefeitura, representada pela Semob, os veículos tirados de linha naquele 17 de julho de 2018, não possuíam condição de trafegar e conduzir passageiros.

Na verdade, a Viação Vitória apresentava problemas desde a gestão passada (2013-2016), que em sua despedida, no dia 29 de dezembro de 2016, apresentou relatório assinado pelo então secretário de Mobilidade Urbana, Luís Alberto Sellmann – que incluía avaliação técnica e parecer da Procuradoria Geral do Município – afirmando que a Viação Vitória não tinha condição de continuar prestando serviço a Vitória da Conquista, diante de repetidas falhas e descumprimentos contratuais, todos atestados por processos administrativos.

Após meses de episódios grotescos, como rodas de ônibus soltas no meio da rua, carros quebrados e queixas de serviço ruim, a ação do governo municipal naquele dia 17 de julho de 2018, que a Prefeitura tentou vender como solução, era a passagem da novela para capítulos ainda mais caóticos.

Primeiro, a Cidade Verde assumiu as linhas que a Vitória não pôde atender. Na sequência, a empresa abandonou algumas linhas sociais que não davam lucro. Em agosto, o contrato com a Vitória foi rescindido, com todo o sistema passando a ser operado por apenas pela Cidade Verde, contra a qual havia uma ação judicial, em que a própria administração municipal era parte, sob a alegação de que a empresa teria cometido ilegalidades durante o processo licitatório em que foi escolhida para ser a segunda empresa a operar o transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista.

Dois anos depois, no dia 4 de agosto de 2020, decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), cancelou a outorga da Viação Cidade Verde e determinou que a Prefeitura realizasse nova licitação em 180 dias, o que não aconteceu. A empresa recorreu e permaneceu até outubro de 2020, quando o tribunal determinou que a administração municipal cancelasse o contrato. A partir daí, a Prefeitura passou a alugar ônibus da Viação Rosa, que já tinha veículos em algumas linhas, e da Atlântico Transportes.

Essa situação durou até o dia 18 de dezembro de 2023, quando as mesmas empresas, agora vencedoras da licitação, assumiram a operação do sistema de transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista.

Desde então, é visível que a qualidade do serviço prestado melhorou, com ônibus novos, regularidade nos horários e a passagem mais barata do país. Mas, quem acompanhou os transtornos do setor desde 17 de julho de 2018, bem como os problemas e confusões que antecederam a drástica ação comandada pela Semob na garagem da Vitória, sabe que houve uma mudança inquestionável. A comprovação isso está em recente pesquisa de opinião pública que mostrou o transporte coletivo como um dos serviços mais bem avaliados pela população. Antes, eram apenas críticas e protestos.

Cenas como esta marcaram a imagem da Vitória na crise do transporte coletivo

FOTO DESTAQUE: GARAGEM DA VIAÇÃO VITÓRIA EM 17 DE JULHO DE 2018

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