População precisa saber quanto do empréstimo de R$ 200 milhões será usado para livrar Conquista das consequências da péssima drenagem

População precisa saber quanto do empréstimo de R$ 200 milhões será usado para livrar Conquista das consequências da péssima drenagem

A Câmara de Vereadores queria que a prefeita Sheila Lemos investisse na macrodrenagem da cidade parte do empréstimo de R$ 400 milhões para o qual pediu sua autorização. Até audiência pública o legislativo municipal fez nesse sentido.

Naquela fase, nenhuma obra ou bairro a ser beneficiado pelo financiamento eram conhecidos. Se o governo municipal apresentou uma planilha à Câmara ela não está na lei aprovada nem foi tornada pública.

Com o empréstimo autorizado pelos vereadores e o processo já tramitando na Secretaria do Tesouro Nacional (STN) a população tomou conhecimento de que o governo municipal vai pegar R$ 200 milhões na Caixa, mas ainda não se sabe quais projetos serão financiados com o dinheiro e se a macrodrenagem será contemplada.

O que se sabe – e isso graças ao marido da prefeita, advogado Wagner Alves, pré-candidato a deputado estadual, que se posicionou contra – é que a mesa diretora da Câmara Municipal propôs usar R$ 30 milhões, equivalente a 15% do total do empréstimo, para construir uma nova sede para o legislativo conquistense.

Sobre macrodrenagem, nada foi dito. Nem pelos vereadores, nem por Wagner e nem pela prefeita Sheila Lemos.

Porém, mais algumas horas de chuva forte no fim de semana impuseram uma exigência: a Prefeitura deve esclarecer se destinará algum dinheiro do financiamento da Caixa para resolver o cada dia mais grave problema das enxurradas, das ruas e avenidas que são tomadas pela água com qualquer chuva mais demorada.

E a administração municipal sabe que à medida que o tempo passa essa condição vai piorar. Ontem, as imagens nos sites de notícias mostraram isso: pessoas arrastadas pelas enxurradas, carros em buracos abertos ou transformados em crateras e locais que há três, cinco anos não ficavam alagados agora a parecer rios.

No ano passado, Vitória da Conquista foi notícia pelo milagre do salvamento de um motorista que foi tragado junto com seu carro por um esgoto. E dezenas de famílias viram de perto a ameaça da água das enxurradas na sua porta.

Não dá para passar pano, porque não vai enxugar, por mais que tentem blindar a gestão. É imperioso admitir que o problema toma forma de tragédia. E é necessário destacar que a Prefeitura terá R$ 200 milhões em cerca de 60 dias.

O pré-candidato Wagner Alves enfatizou na entrevista ao podcast Interior Baiano que os R$ 30 milhões que a Câmara quer para a nova sede são suficientes para fazer 30 praças ou asfaltar 30 ruas. Vitória da Conquista não está precisando só disso, não é nem prioridade.

Os R$ 200 milhões devem ser empregados naquilo que é prioridade, e macrodrenagem é. De outra forma, como continuar afirmando que esta é a melhor cidade da Bahia para se viver, se a falta de vontade política para encarar esse problema o torna uma ameaça à sua população no curto prazo?

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