Opinião | Meta de Vitória da Conquista deve ser ter pelo menos mais dois deputados e não de redução da representação por capricho ideológico

Opinião | Meta de Vitória da Conquista deve ser ter pelo menos mais dois deputados e não de redução da representação por capricho ideológico

Vitória da Conquista elege apenas um deputado federal e dois estaduais há quatro eleições seguidas, contudo, tem votos mais que suficientes para eleger pelo menos mais um deputado estadual e um federal.

Eleição proporcional é diferente da eleição majoritária. Na eleição de prefeito, busca-se uma substituição ou uma alternância: ou o eleitor vota para manter o(a) prefeito(a) ou para impedir a continuidade de seu grupo no poder. Neste caso, se justifica que um candidato critique diretamente os demais, porque precisa mostrar que é uma opção melhor. Na eleição proporcional, o voto não chega a esse nível de cotejamento, acontece muito por afinidade pessoal e e/ou identidade político-partidária.

Mas o que vemos agora são pré-candidatos – mais do que fazendo uma campanha para si – trabalhando para tirar quem já está lá. Competição autofágica. Quanto mais representação, melhor. É hora de Wagner, de Lara, de Marcos Adriano, de Lúcia Rocha, Ígor Novais… se somarem aos que já estão – e dificilmente não estarão em 2027.

Considero uma armadilha pensar que um candidato da direita vai mexer significativamente com a votação de Waldenor (32.071 em 2022; 33.381 em 2018; 31.083 em 2014; e 31.650 em 2010), que tem sua base majoritariamente petista. Vale também para Zé Raimundo (32.009 em 2022; 35.855 em 2018; 29.385 em 2014; e 28.453 em 2010). Faço valer o direito de opinar: cada qual tem que buscar o seu cada qual e muitos poderão ter sucesso.

A eleição de governador na Bahia é um grande mistério, não apenas por ainda ser cedo, mas porque os elementos disponíveis apontam para uma disputa difícil, sem favorito. Seja quem for o eleito, será muito bom para Vitória da Conquista ter uma bancada (mais) forte e equilibrada para cobrar o respeito e o prestígio que o município tem direito e merece. Não um deputado, não dois, mas vários. E isso é possível, deveria ser a nossa meta.

Mas tem pré-candidato agindo em outra direção – o que, aliás, é legítimo. Nem toda candidatura visa a eleição, algumas servem de oportunidade para posicionamento, denúncia, criação ou redução de espaços. Cada qual no seu cada qual.

OS NÚMEROS QUE JUSTIFICAM

Vitória da Conquista tem 257.931 eleitores. Na eleição de deputado de 2022 eram 250.908. Disputaram os votos dos conquistenses 18 candidatos a deputado estadual locais (sem incluir Tiago Correia e Vítor Azevedo, que também têm base eleitoral na cidade); para federal foram dez (sem incluir Jorge Solla). Soma de 28.

O grupo dos pretendentes a uma cadeira na Assembleia Legislativa teve 100.795 votos. Somando a votação de Tiago Correia (10.793), que recebeu o apoio direto da prefeita Sheila Lemos, e de Vítor Azevedo (3.257) apoiado por Ivan Cordeiro, o total de votos cresce para 114.845. No grupo dos federais, foram 82.176 votos; com os de Jorge Solla (5.005) o total chegou a 87.181 votos.

Para este ano, é quase certo que sejam oito candidatos a deputado estadual: Capitão Vasconcelos, Fabrício Falcão, Lara Fernandes, Marcos Adriano, Tiago Correia, Vítor Azevedo, Wagner Alves e Zé Raimundo; e quatro a federal: Igor Novais, Lúcia Rocha, Jorge Solla e Waldenor Pereira. Ao segundo grupo podem se juntar Diogo Azevedo, Luciana Silva e Delegado Marcus Vinicius, mas nenhum deles confirma, por isso ficam fora da nossa conta.

Ou seja, quatro anos depois, há menos da metade de pretendentes. Considerando a previsão de o eleitorado passar de 259 mil (o prazo para inscrição termina em 6 de maio), serão cerca de nove mil votos a mais para dividir.

Uma conta bem simples, que nos leva a uma estimativa também simples, mas positiva: se dividirmos a votação dada em 2022 aos candidatos locais (mais Tiago Correia e Vítor Azevedo) por 20, chegamos a 5.742,25 votos para cada. Dividindo os mesmos 114.845 votos pelos oito que já se colocaram na disputa este ano, a conta dá mais de 14 mil votos para cada, em média, uma boa largada para qualquer um, considerando que a eleição se dá, necessariamente, com votação em vários municípios.

Outro ponto importante a avaliar: Lúcia Rocha teve 25.161 votos e este ano sai para federal. Ela apoia Fabrício, mas nem o mais otimista dos analistas pode apostar que ele transfira mais que 25%.

Entre os candidatos à Câmara dos Deputados, a média de votos aos nomes locais em 2022 chegou perto de oito mil, incluindo Solla. Atualmente, ficaria em 21.795 votos. Ok, a votação de Waldenor deve ficar perto da anterior (32.071), vamos abater, a média cai para 18.370 votos. Porém, é bom lembrar que Alexande Xandó (18.230) e Ivan Cordeiro (11.271) somaram 29.501 votos e estão fora.

FOTO DESTAQUE: IMAGEM PRODUZIDA COM AJUDA DO CHATGPT

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