Opinião | Sheila Lemos foi a maior derrotada desta eleição. Por Alexandre Xandó


Alexandre Xandó é vereador em Vitória da Conquista, eleito pelo PT.
Sheila Lemos foi a maior derrotada desta eleição em Vitória da Conquista. Embora seu nome não estivesse na urna, foi ela quem fez a principal aposta política: eleger o marido, Wagner Alves, deputado estadual. Para isso, colocou seu prestígio à prova, entrou em conflito com aliados e comprometeu a unidade do grupo que a reelegeu. Terminou a disputa sem a cadeira na Assembleia e com uma base dividida.
Os números ajudam a dimensionar o resultado. Em 2024, Sheila recebeu 116.488 votos. Dois anos depois, Wagner teve 33.397 votos em Conquista. A votação dele equivale a 28,67% da que ela alcançou para prefeita. São eleições diferentes, evidentemente. Mas, para quem apostou na própria força política para eleger o marido, a distância é expressiva.
A comparação com outros municípios torna esse desempenho ainda mais revelador. Em Itabuna, o então prefeito Augusto Castro recebeu 65.329 votos na eleição municipal, e sua esposa, Andréa Castro, obteve 36.355 votos na cidade para deputada estadual. Em São Sebastião do Passé, Nilza da Mata teve 17.358 votos, enquanto seu filho, Cacau da Mata, alcançou 11.421. Em Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá recebeu 46.212 votos, e Cinthya Marabá, sua esposa, conquistou 29.977 no município.
Nesses três casos, a votação dos familiares correspondeu a aproximadamente 56%, 66% e 65% da votação dos prefeitos. Em Conquista, ficou abaixo de 29%. Essa conta não permite dizer quantos eleitores foram efetivamente “transferidos”, mas permite comparar a dimensão das candidaturas em suas bases municipais.
O problema de Sheila, porém, começou antes da apuração. Em agosto, os programas de rádio da cidade já atribuíam à condução da candidatura de Wagner a fragmentação do grupo político da prefeita. Em setembro, voltou novamente ao assunto, com destaque para os afastamentos de Diogo Azevedo, Dra. Lara e do vice-prefeito Aloisio Alan, além da independência anunciada pelo vereador Adinilson Pereira. Portanto, a discussão sobre o esfacelamento da base já estava posta antes de qualquer resultado eleitoral.
Na disputa pelo governo, os resultados também mostram que o campo adversário de Sheila ganhou espaço. Comparando os primeiros turnos, Jerônimo saiu de aproximadamente 38% em 2022 para aproximadamente 48% dos votos em Conquista em 2026.
Se a referência for o segundo turno de 2022, Neto reduziu de 119.665 para 101.035 votos, enquanto Jerônimo avançou de 82.995 para 94.055. Nesse recorte, a vantagem de Neto caiu de 36.670 para 6.980 votos. Por muito pouco, Jerônimo não virou!
Minha avaliação é que Sheila cobrou um preço alto demais de seu próprio grupo para sustentar uma candidatura familiar. Desgastou relações, perdeu aliados e não alcançou o objetivo que justificava toda essa movimentação.
É nesse sentido que afirmo: Sheila foi a maior derrotada desta eleição. Queria sair de 2026 com o marido deputado e sua liderança fortalecida. No fim das contas, Wagner saiu sem mandato, ela ganhou a indisposição do seu grupo político e dificilmente conseguirá costurar uma candidatura unitária para 2028.
TEXTO REVISADO PELO AUTOR
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