Opinião | Xandó precisa aprender a perder e a respeitar a força política de Sheila Lemos. Por Chico Estrella

Opinião | Xandó precisa aprender a perder e a respeitar a força política de Sheila Lemos. Por Chico Estrella

Chico Estrella é secretário de Esportes de Vitória da Conquista, ex-vereador e ex-líder da prefeita na Câmara Municipal

É uma virtude na política saber participar da democracia, ter honradez quando vencedor e dignidade quando vencido. Infelizmente, essas duas qualidades não aparecem no comportamento do vereador Alexandre Xandó (PT), que insiste em transformar divergências políticas em ataques pessoais. Sua postura é de uma imaturidade que chega a lembrar o comportamento de uma criança.

É decepcionante ver um vereador que deveria estar preocupado com os problemas de Vitória da Conquista ocupar a tribuna da Câmara para atacar quem pensa diferente dele. Na quarta-feira, Xandó voltou a usar os microfones do Legislativo para atingir o advogado Wagner Alves (União), marido da prefeita Sheila Lemos (União), chegando a chamá-lo de “primeiro-damo”.

A expressão não representa apenas uma tentativa de ridicularizar Wagner. Atinge indiretamente a prefeita, justamente em um período em que tanto se fala sobre violência política de gênero e respeito às mulheres que exercem funções públicas. Considero ainda que a postura de Xandó desonra os princípios e valores do sagrado de matriz africana, que deveriam inspirar respeito e dignidade nas relações humanas.

Mas vamos aos números, porque as urnas oferecem respostas mais consistentes do que as provocações do vereador.

Wagner Alves disputou sua primeira eleição, ainda desconhecido de grande parte do eleitorado baiano, e ultrapassou os 53 mil votos. Em Vitória da Conquista, recebeu 33.397 votos, tornando-se o candidato a deputado estadual mais votado na cidade. Superou, inclusive, todos os candidatos a deputado federal.

É uma votação expressiva para quem nunca havia disputado um mandato eletivo. Não conseguiu se eleger, mas recebeu uma demonstração de confiança que não pode ser desprezada apenas porque o resultado desagradou aos adversários de Sheila Lemos.

O próprio Xandó deveria olhar para sua trajetória antes de tentar diminuir a votação de Wagner. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal e recebeu uma votação inferior, embora a disputa para a Câmara dos Deputados tenha menos candidatos que a eleição para a Assembleia Legislativa.

Naquela campanha, circularam inclusive boatos sobre troca de votos por botijões de gás. São comentários que precisam ser lembrados quando o vereador resolve se apresentar como exemplo de comportamento político.

Xandó sofreu uma derrota nas urnas e, em 2026, sequer disputou novamente uma cadeira de deputado. Na minha avaliação, amarelou, e seu próprio partido lhe negou a legenda. Agora procura desqualificar o resultado de alguém que teve coragem de enfrentar a disputa e conquistou mais de 53 mil votos.

Enquanto isso, Sheila Lemos demonstrou mais uma vez sua força eleitoral. A prefeita se consolidou como uma das principais lideranças do Sudoeste da Bahia, governando uma cidade que não se curva automaticamente ao grupo político que controla o governo estadual há mais de 20 anos e que, na minha avaliação, tem saqueado a Bahia.

Vitória da Conquista mostrou sua independência política. Mesmo com toda a estrutura do governo estadual, o candidato apoiado por Sheila venceu a disputa pelo governo na cidade. E Wagner Alves, com o apoio dela, alcançou a maior votação nominal entre todos os candidatos a deputado no município.

Vale recordar outras experiências políticas de Vitória da Conquista. O ex-prefeito Guilherme Menezes, de quem Xandó falava mal nos tempos de faculdade, também apoiou candidatos a deputado. Em uma dessas eleições, Marcelino Galo recebeu 1.576 votos na cidade, enquanto Jorge Solla alcançou 5.021.

O saudoso Herzem Gusmão, outra importante liderança municipal, também fez suas escolhas. Entre os candidatos que apoiou, Lúcio Vieira Lima recebeu 1.204 votos e Gilmar Ferraz, 4.743. Esses números ajudam a compreender a dimensão da votação que Wagner Alves alcançou com a participação de Sheila.

É preciso observar ainda que a prefeita não obrigou ninguém a apoiar seu marido. Dos vereadores de sua base política, apenas cinco acompanharam a candidatura de Wagner. Os demais tiveram liberdade para fazer suas escolhas, sem que isso impedisse a votação alcançada por ele.

Se Sheila tivesse imposto a candidatura a todos os seus aliados, talvez Xandó tivesse motivos para questionar sua conduta. Mas ela respeitou as decisões de cada um. E, mesmo sem o apoio integral de sua base, ajudou Wagner a conquistar mais votos em Vitória da Conquista do que qualquer outro candidato a deputado.

Na história política da cidade, não me recordo de uma liderança municipal que tenha conseguido contribuir para uma votação dessa dimensão em favor de um candidato de sua preferência. Isso demonstra a capacidade de mobilização eleitoral de Sheila e o reconhecimento que ela possui entre os conquistenses.

Xandó tenta transformar esse resultado em derrota da prefeita porque não consegue reconhecer a força política de quem está do outro lado. Pode comemorar a não eleição de Wagner, mas não pode apagar os votos recebidos por ele nem o significado dessa votação para o grupo liderado por Sheila.

O vereador precisa crescer politicamente. Não basta ocupar uma cadeira na Câmara e transformar o mandato em instrumento de ataques pessoais. É necessário respeitar os adversários, reconhecer os resultados das urnas e compreender que a democracia não existe apenas quando vence o candidato de nossa preferência.

Por isso, Xandó, cresça e apareça. Deixe de ser imaturo, porque, se continuar dessa maneira, será sempre lembrado como o eterno menino de vó, aquele que ainda toma chamito e Danoninho, joga gude no carpete, empina pipa no ventilador e desce para brincar no playground da vovó, tentando aprender capoeira pelo YouTube.

E vou lhe avisar: se continuar com essas picuinhas desnecessárias, nunca mais compro uma caixa de Danoninho para você.

TEXTO REVISADO PELO AUTOR

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