Polícia Civil ainda não sabe quem matou travestis em Vitória da Conquista, mas associa os dois crimes ao tráfico
Em entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Sudoeste, desta terça-feira, o delegado Marcelo Cavalcante, da Delegacia de Homicídios, disse que os assassinatos de duas travestis, em Vitória da Conquista, no intervalo de uma semana, não têm relação entre si, mas que o tráfico de drogas é a motivação mais provável, descartando homofobia como razão dos crimes. Segundo o delegado, a suspeita é de que Elisam, de 19 anos, e Raphaela Souza, 32 anos, tenham sido executadas.
Na entrevista ao repórter David Fortunato, Marcelo Cavalcante disse que “Raphaela, provavelmente, foi morta em razão do seu envolvimento com o tráfico de drogas, porque ela foi flagranteada, tempos atrás, aqui, nesta delegacia de homicídios, pelo mesmo crime. “O delegado informou que a polícia segue a linha de que a travesti sofreu retaliação de traficantes. “Estamos apurando com relação a alguma retaliação em relação ao tráfico de drogas!”, explicou Marcelo Cavalcante.
O assassinato de Raphaela repercutiu nacionalmente, em razão de sua militância no movimento de valorização LGBT, tendo sido coordenadora do Grupo Social Coletivo Finas de Travestis e Transexuais, com histórico de atividades junto a órgãos públicos e governos e nas entidades estaduais de defesa LGBT.
De acordo com a reportagem da TV Sudoeste, nenhum dos dois casos tem qualquer relação com homofobia, segundo a polícia.
OS CRIMES
Elisam foi a primeira travesti morta este mês, na noite do dia 7/11, nas proximidades do anel rodoviário de Vitória da Conquista, sentido do bairro Miro Cairo. Ela foi baleada na cabeça e morreu na hora. Elisam estava com uma amiga, que sobreviveu para contar à polícia que os assassinos filmaram a execução.
Raphaela também foi morta no bairro Miro Cairo, com aparência de execução. Ela foi baleada três vezes na cabeça, no dia 14/11.


