O valor da representação de Xangai como secretário de Cultura e a importância do seu estilo para o sucesso do Arraiá da Conquista

O valor da representação de Xangai como secretário de Cultura e a importância do seu estilo para o sucesso do Arraiá da Conquista

O São João é hoje, dia 24 de junho. O maior festejo do Nordeste começou bem antes do dia dedicado ao santo e em muitos lugares a festança continuará até depois do São Pedro. Por aqui, termina hoje o Arraiá da Conquista, que já acontece desde o dia 13 no palco na Praça 9 de Novembro e, em seguida, no grandioso evento no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, onde, segundo a Prefeitura, cerca de 50 mil pessoas, em média, compareceram nas primeiras noites. Até o ano passado, a festança era no Espaço Cultural Glauber Rocha, no bairro Brasil.

Mas a mudança do local do arraial não foi a única novidade dos festejos juninos conquistenses. A outra é que, apesar de ser a festa de São João, não é o forró o estilo predominante, como já foi a tradição. Este ano, o arrocha é que foi apresentado como grande atração, mesmo que não falte forró e que o forró que tem – como o que o velho e bom Edigar Mão Branca presenteará o público na noite de encerramento do arraiá – seja do bom.

Teve quem não gostou dessa novidade, como tem quem gostou muito, mas o arrocha, secundado pelo piseiro, foi o crème de la crème da festa que nasceu há 16 anos como Forró Pé de Serra do Periperi, em homenagem à serra do mesmo nome e ao tradicional estilo nordestino que ganhou o Brasil e o mundo com Luiz Gonzaga e Dominguinhos.

Mas, por que esse título com o nome de Xangai, nosso poeta e cantor conhecido e admirado pelo Brasil afora, o que ele tem a ver com isso? Ele é o secretário de Cultura e o zum zum zum é que ele não gostou da ideia de um São João que não seja genuíno, com forró, sanfona e zambumba.

Xangai é um representante respeitável da música sertaneja e da nossa cultura e um defensor da tradição do São João sendo São João.

Quem o conhece sabe que Xangai sempre se destacou pela ética e pelo cavalheirismo, aspectos que não deixaria pelo caminho na trajetória como secretário de Cultura de Vitória da Conquista.

Então, é provável que Xangai tenha dito que não preferia a grade de atrações escolhidas pela Salvador Produções – a empresa que a Prefeitura contratou para organizar a festa e que faz também o Festival de Inverno Bahia (FIB). Se ele não gostar, ele não nega. E se disse isso a alguém, não foi, certamente, a primeira vez que ele teria feito isso.

É diferente, contudo, de se rebelar ou tornar-se adversário da proposta, justamente porque não estamos falando de qualquer um, mas de Eugênio Avelino Lopes Souza, 77 anos, quase 60 de arte, como dito, cavalheiro e ético.

Com Xangai, tudo flui. Com sua propensão ao entendimento e pelo respeito que tem pelas pessoas e à opinião de cada um, Xangai tem sido uma ponte para a construção de eventos como o Arraiá da Conquista deste ano, que até pode não ser totalmente do agrado dele, mas ele não se moveria para impedir o que agrada à cidade.

Eugênio Avelino diz o que pensa, reage, aplaude ou franze o cenho, mas não se exaspera e não entra na fila do rancor, pelo contrário, se mantém na lida, disposto, interessado e emprestando o que ele tem de mais caro, além do talento: sua representatividade.

Xangai está para a Secretaria de Cultura de Vitória da Conquista como Gilberto Gil esteve para o Ministério da Cultura. Aliás, Gil e Eugênio são compadres.

O grande artista entrou na secretaria muito maior do que ela, e nunca se apequenou. É grandiosa a forma como ele dá espaço e compreende o fazer de seus colegas e subordinados, é seu estilo. E assim, está lá, dando com seu nome, seu tempo e sua lealdade e representatividade à Secult de Vitória da Conquista.

Foi um grande acerto da prefeita Sheila Lemos colocá-lo lá, como carimbo da nossa cultura, representação da melhor arte musical. Acerto maior ainda é mantê-lo, com o que a gestora dá grandeza também a si própria.

Certamente, Xangai não vai gostar desse texto, mas eu queria fazê-lo, ainda que o contrarie e a alguns mais. Porém, fi-lo porque qui-lo – e isso ele vai entender.

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