Série Ruas e Praças de Vitória da Conquista: a história pelo caminho | Parte 2

Série Ruas e Praças de Vitória da Conquista: a história pelo caminho | Parte 2

Reportagem originalmente publicada na edição de março de 2018 da revista Conexão, com a participação das jornalistas Giovana Maria e Luana Figueredo. Conta um pouco da história e da motivação para os nomes de alguns dos mais conhecidos logradouros de Vitória da Conquista. As fotos são da época ou de um algum tempo depois, com fotos dos ônibus antigos, postes sem LED, lojas que fecharam etc., poucas serão atuais.

Ascendino Melo: Após ganhar a histórica batalha dos ‘Meletes e Peduros’, liderando os Peduros, o coronel Ascendino dos Santos Melo foi nomeado intendente de Conquista e exerceu a função até 31 de dezembro de 1919. Em 1920, ele foi candidato único e eleito por voto popular para ser intendente entre 1921 e 1922.

Bartolomeu de Gusmão: Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi um padre nascido em São Paulo, que ficou conhecido pelo seu desejo de voar. Inventou o primeiro aeróstato (aeronave mais leve que o ar) operacional ou balão, que denominou de passarola.

Coronel Gugé: Coronel José Fernandes de Oliveira Gugé foi intendente e um dos chefes políticos mais poderosos e influentes da história conquistense. Foi eleito em 1911 e continuou no poder até 1915. O Coronel Gugé era avô do ex-prefeito José Pedral Sampaio, que governou Vitória da Conquista por três mandatos e faleceu em 2014.

Crescêncio Silveira: Crescêncio Antunes da Silveira era médico, natural de Caetité, mas morou em Vitória da Conquista duas vezes. Fundou a Santa Casa de Misericórdia, o Grêmio Ruy Barbosa (da Escola Normal) e foi um dos fundadores do Aero Clube de Conquista. Foi também eleito conselheiro municipal (equivalente a vereador) e, na condição de médico, realizou grandes feitos na cidade, como lutar para erradicar o surto de gripe espanhola que atingiu a cidade em 1918.

Da Corrente: Esta é uma das poucas ruas de Conquista que preserva o nome pelo qual era conhecida quando foi aberta, no ano de 1924. A rua era o começo da estrada carroçável até Jequié, construída pelos chamados enricados da cidade, conforme me contou o ex-prefeito e ex-governador Régis Pacheco em entrevista exclusiva em 1986. No começo da estrada havia uma corrente que forçava a parada de caravanas, boiadas e carroças que desejavam transitar pela estrada, mas tinham que pagar pedágio para que os patrocinadores da sua construção pudessem  recuperar o que investiram.

Das Pedrinhas: Não encontramos informação confiável para a origem do nome da rua que praticamente virou bairro. Há quem afirme que, por estar na encosta da Serra do Periperi, havia sempre muitos pedregulhos espalhados pela área, daí a denominação. O professor Flávio José dos Passos, em dissertação de mestrado à PUC-SP, sobre a ocupação do bairro das Pedrinhas, sua identidade e o processo de degradação, segregação e estereotipia a que foi submetida a localidade, apresentada por ele como um território de história e formação alicerçadas em famílias negras, tendo como referência o Beco de Dola, recentemente reconhecido como o primeiro quilombo urbano de Vitória da Conquista.

Dois de Julho: A rua, que era conhecida como Rua da Várzea ou Rua da Vargem, porque se estendia até o açude municipal da cidade, onde havia uma área de inundação, passou a se chamar Rua Dois de Julho em homenagem à data da Independência da Bahia. Mesmo após a Independência do Brasil, o estado da Bahia ainda estava sob o domínio de Portugal e passou por várias lutas até conseguir a sua independência de fato em 2 de julho de 1823.

Dos Andrades: A Rua dos Andrades – entre a praça Joaquim Correia (da prefeitura) até a travessa Sá Barreto – também homenageia uma tradicional família de Vitória da Conquista, que chegou à cidade quando ela ainda era chamada de Imperial Vila da Vitória. A história da família Andrade se iniciou na cidade com o padre José Joaquim de Andrade e seus filhos. José Joaquim foi vigário da Freguesia de Nossa Senhora das Vitórias.

Dos Fonsecas: Os Fonsecas foram uma antiga e prestigiada família conquistense. O alferes João José de Souza Fonseca é considerado o primeiro a carregar este sobrenome na cidade e, em 1815, passou a administrar os pertences da Igreja Matriz, que ainda estava em construção. A família Fonseca se destacava pela influência política e pelos grandes latifúndios que possuía. A Rua dos Fonsecas, onde ficam a Band FM e a TV Sudoeste, faz uma homenagem a esta família.

Ernesto Dantas: Chamado de “o maior talento dentre os homens leigos do sertão”, Ernesto Dantas Barbosa nasceu em Caetité e, por volta e 1890 – os dados não são precisos -, mudou-se para Vitória da Conquista. Aqui, escreveu para jornais, fundou uma escola na fazenda onde morava, criou uma filarmônica e influenciou políticos e intelectuais. Chegou a estudar para ser padre, mas quando seria ordenado, recusou-se a fazer os votos, por estar apaixonado por uma moça. Leitor voraz, conheceu a doutrina kardecista e ajudou a ampliar o movimento espírita na cidade.

No próximo capítulo: Fernando Spínola, Francisco Santos, Frei Benjamin, Genésio Porto, Góes Calmon, Henriqueta Prates, Integração/Presidente Dutra, João Pessoa, Joaquim Hortélio e Jonas Hortélio.

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